domingo, 29 de junho de 2014




PERIÓDICOS

FONTES PARA A HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO SUL

ALMANAQUES E ANUÁRIOS


                                                                          Pesquisa – Dari José Simi – darisimi@gmail.com
O autor deste blog concorda com o uso de seus textos e imagens, desde que seja informada a autoria.

Os Almanaques, anuários e outros periódicos do gênero são fontes preciosas, que trazem material importante e achegas ricas de originalidade.  São publicações editadas anualmente e hoje quase desapareceram do comércio. Muitas coleções já desapareceram, tornando-se peças raras e quase impossíveis de se conseguir.   Quase sempre trazem assuntos inéditos e por isso tornam-se fontes de pesquisa para os historiadores do nosso passado.
São numerosos os almanaques no Rio Grande do Sul. Há os que Aurélio Porto, Guerreiro Lima ou Dante de Laytano publicaram.  Um ou dois números,  apenas. Outros em língua alemã ou italiana, repletos de dados sobre a imigração, colonização e a contribuição destas novas correntes na formação das populações rio-grandenses.
Há os almanaques históricos, como o de Manoel Almeida de Magalhães, que fez um estudo completo de Porto Alegre em 1809.  Outros são bastante conhecidos porque foram de grande circulação, como o do “Correio do Povo” ou o do “Globo”, que desempenharam um grande papel, como órgãos de divulgação da literatura regional. Antes, o “Almanach Popular Brazileiro”, de Alberto Ferreira Rodrigues ou o do seu irmão Alfredo Ferreira Rodrigues, “Almanak Litterário e Estatístico do Rio Grande do Sul”,  publicados em Pelotas e Rio Grande,  que deram grande ênfase à problemática estética, inserindo muitas poesias inéditas, até lançando poetas novos.
O almanaque é uma fonte nada desprezível. O historiador do Rio Grande do Sul não pode deixar de consultá-los em suas pesquisas.
Este trabalho visa apenas relacionar os almanaques publicados no Rio Grande do Sul. A pesquisa deverá continuar, na medida em que novas informações forem coletadas.

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*ALMANACH DA ESTRELA DO SUL – Porto Alegre:Centro da Boa Imprensa do Rio Grande do Sul. Publicado em Porto Alegre de 1924 até 1944.

Foto da internet, autor desconhecido



*ALMANACH DE PELOTAS –   Impresso nas Officinas Typographicas do Diário Popular. Pelotas:Liv. do Globo, 1913-1935.  Até 1919 a direção do Almanach era de Ferreira & Cia., após, a direção ficou a cargo de Florentino Paradeda, que adquriu a propriedade da publicação.

Foto da internet, autor desconhecido


Foto da internet, autor desconhecido

*ALMANACH DE PORTO ALEGRE.  A  primeira edição do Almanach saiu em 1920.
*ALMANACH DO AGRICULTOR E CRIADOR RIO-GRANDENSE.  Publicado em Porto Alegre por João M. Castello, diretor proprietário.
*ALMANACH PARA AS FAMILIAS BRASILEIRAS. Porto Alegre

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*ALMANACH POPULAR BRAZILEIRO. Anual. Editado por Alberto Ferreira Rodrigues.  Pelotas, Porto Alegre e Rio Grande:Liv. Universal de Echenique & Irmãos, 1894-1908.
*ALMANACH RIO-GRANDENSE.  Publicado em Porto Alegre
*ALMANACCO ILLUSTRATO DEL GIORNALE “D’ITALIA”.  Rio Grande: Giornale D’Ialia.
*ALMANACCO ITALIANO ILLUSTRATO DEL GIORNALE “LA PATRIA”. Porto Alegre:La Pátria Italo-Brasiliana.
*ALMANACCO PER LE FAMIGLIE ITALIANE NEL BRASILE. Porto Alegre: Liv. Selbach
*ALMANACK DO COMMERCIO DO RIO GRANDE DO SUL. Porto Alegre
*ALMANACK ESCOLAR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Porto Alegre
*ALMANAK ENCYCLOPEDICO SUL-RIO-GRANDENSE.  De Augusto Porto Alegre. Porto Alegre:Officinas a vapor do Jornal do Commercio.
*ALMANAK DA CASA SCHRÖDER. Porto Alegre:Officinas Typographicas da Livraria do Globo.

Foto da internet, autor desconhecido


*ALMANAK DO MENSAGEIRO DA FÉ. Porto Alegre:Livraria do Globo
*ALMANAK DO RIO GRANDE DO SUL – Editado em Porto Alegre.




*ALMANAK LITTERÁRIO E ESTATÍSTICO DO RIO GRANDE DO SUL – Anual. Editado por Alfredo Ferreira Rodrigues,  Pelotas: Typographia da Livraria Americana,  de 1889 até 1917.
Foto divulgada na internet, autor desconhecido

*ALMANAK RECREATIVO SUL RIO-GRANDENSE. Publicado na cidade de Bagé, RS, a partir do ano de 1900, pela Typographia da Popular dos Irmãos Cirone.
*ALMANAK RIO GRANDENSE – Editado em Porto Alegre, cerca de 1882.
*ALMANAK SILVEIRA. Pelotas:Viuva Silveira & Filho, 1878.
*ALMANAQUE BRASILEIRO GARNIER. Porto Alegre: Souza & barros, 1903-1914.
*ALMANAQUE DA FAMÍLIA. Pelotas:Typ. da Sociedade Medicinal Souza soares.
*ALMANAQUE DA REVISTA DO GLOBO.  Ver ALMANAQUE DO GLOBO.
*ALMANAQUE DA SERRA. Erechim:A Voz da Serra.




Foto do autor do blog

*ALMANAQUE DE RIO PARDO.  De Dante de Laytano. Publicação  comemorativa do primeiro centenário da elevação à cidade. 1946.
*ALMANAQUE DO BARÃO ERGONTE.  Publicação individual do gaúcho Múcio Teixeira, com caráter esotérico. Publicado no Rio de Janeiro em 1912.
*ALMANAQUE DO CORREIO DO POVO – Editado pela Companhia Jornalística Caldas Júnior (Correio do Povo) de Porto Alegre, a partir de 1916 até 1984.
*ALMANAQUE DO CORREIO SERRANO. Ijuí, RS.
*ALMANAQUE DO ESTADO. Porto Alegre, publicado de 1892 a 1914.
*ALMANAQUE DO EXÉRCITO. Porto Alegre.
*ALMANAQUE DO GLOBO – Editado por Mansueto Bernardi , João Pinto da Silva e Octavio L. Tavares.  Porto Alegre: Livraria do Globo, a partir de 1917 até 1933. A partir dessa data, sob outra direção, passa a denominar-se ALMANAQUE DA REVISTA DO GLOBO.
*ALMANAQUE DO SÍNODO RIOGRANDENSE (Jahrweiser) – Publicado em Alemão em São Leopoldo.
*ALMANAQUE DOS GAÚCHOS. De Barbosa Lessa. Porto Alegre: Martins Livreiro
*ALMANAQUE ENCICLOPÉDICO SUL-RIO-GRANDENSE – Dirigido por Augusto Porto Alegre. Publicado em Porto Alegre a partir de 1898 até 1899.
*ALMANAQUE ESPORTIVO DO RIO GRANDE DO SUL. Porto Alegre
*ALMANAQUE GLOBO LITERÁRIO DO RIO GRANDE DO SUL – Editado em Porto Alegre, a partir de...
*ALMANAQUE ILLUSTRADO. Porto Alegre:Typ. Gundlach.
*ALMANAQUE POPULAR BRASILEIRO -  Editado em Pelotas por Echenique e Irmão, Livraria Universal, de 1894 até 1908.
*ALMANAQUE SÃO MIGUEL – Editado pelos padres do Verbo Divino, em Porto Alegre.
*ANNUÁRIO ESTATÍSTICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Por Augusto M de Carvalho. Porto Alegre:Officinas Gráphicas do jornal  A Federação
*ANNUÁRIO INDICADOR DO RIO GRANDE DO SUL. Porto Alegre
*ANNUÁRIO MILITAR. Porto Alegre
*ANUÁRIO AGRÍCOLA DA UNIÃO POPULAR – Publicado em Porto Alegre.
*ANUÁRIO D’A NAÇÃO. Porto Alegre: Tipografia do Centro, S.A. - Centro da Boa Imprensa do Rio Grande do Sul. Rua Dr. Flores, 108.
*ANUÁRIO DA PROVINCIA DO RIO GRANDE DO SUL. Porto Alegre:Gundlach & Cia., 1885-1911.
*ANUÁRIO DA UNIVERSIDADE DE PORTO ALEGRE.  Porto Alegre
*ANUÁRIO DE ESTATÍSTICAS EDUCACIONAIS E CULTURAIS. Porto Alegre
*ANUÁRIO DEMOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO SUL. Porto Alegre
**ANUÁRIO DE SANTO ANTÔNIO – Publicado em Porto Alegre.
*ANUÁRIO DO APOSTOLADO CATÓLICO. Santa Maria, RS
*ANUÁRIO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – Sob a direção de Graciano Alves de Azambuja,  publicado a partir de 1885 até 1914 por Krahe & Cia., sucessores de Gundlach & Krahe, Livreiros.


Graciano Alves de Azambuja
Foto divulgada na internet pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul


*ANUÁRIO DO SEMINÁRIO CENTRAL DA IMACULADA CONCEIÇÃO E DO COLÉGIO MÁXIMO S.J. – São Leopoldo, RS
*ANUÁRIO ESTATÍSTICO DA EXPORTAÇÃO. Porto Alegre
*ANUÁRIO ESTATÍSTICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – Organizado pela Repartição de Estatística. Diretor: Augusto M. de Carvalhos.
*ANUÁRIO EVANGÉLICO – Publicado em São Leopoldo pela Editora Sinodal.
*ANUÁRIO INACIANO – Publicado em Porto Alegre pela Livraria Editora Padre Reus.
*ANUÁRIO RIO GRANDENSE DE FILOSOFIA. Porto Alegre
*BOLETIM MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE – Direção de Walter Spalding; publicados 30 números.
*BOLETIM MUNICIPAL DE SÃO LEOPOLDO – Sob a direção de Carlos de Souza Moraes.
*BOLETIM DO CENTRO RIO-GRANDENSE DE ESTUDOS HISTÓRICOS – Publicado na cidade de Rio Grande, RS, por Abeillard Barreto. Saíram só 3 números.
*DER FAMILIENFREUND – Kalender des volksvereins für die deutshen katholiken in Rio Grande do Sul,  Porto Alegre: Druck und Verlag.
*INGNATIUS KALENDER – Publicado em Porto Alegre.
*JAHRBUCH DER FAMILIE DER NEUE IGNATIUS KALENDER. Porto Alegre
*KALENDER FÜR DIE DEUTSCHEN IN BRASILIEN (Rotermundkalender) - (Almanaque para os alemães no Brasil) – Publicado em São Leopoldo:Druck und Verlag von  Wilhelm Rotermund,  de 1881-1918 e 1920-1941.
*KALENDER FÜR DIE DEUTSCHEN EVANGELISCHEN GEMEINDEN IN BRASILIEN.  São Leopoldo: Druck und Verlag.
*KOSERITZ DEUTSCHER VOLKSKALENDER FÜR DIE PROVINZ RIO GRANDE DO SUL. (Almanaque popular  alemão do Koseritz para a Província Rio Grande do Sul) – Editado em Porto Alegre: Krahe & Cia.,  por Carlos von Koseritz e circulou de 1874 a 1918 e de 1921 a 1938.

Propaganda do jornal que publicava o almanaque de Koseritz

*LAR CRISTÃO – Anuário editado pela Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Porto Alegre.
*LIVRO DA FAMÍLIA – Anuário publicado em Porto Alegre pela Livraria Editora Padre Reus.  Publicado também  em alemão.
*LUTHER-KALENDER FÜR SÜDAMERIKA – Porto Alegre:Casa Publicadora Concórdia.
*REVISTA DO ARQUIVO PÚBLICO, circulou com esse nome até o nº 18, depois passou a chamar-se REVISTA DO MUSEU E ARQUIVO PÚBLICO, que circulou com esse nome por  mais 24 números.
*REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO SUL – Publicada em Porto Alegre a partir de 1921. Circula ainda.
*REVISTA “PROVÍNCIA DE SÃO PEDRO – publicada em Porto Alegre pela Livraria do Globo, saíram 21 nºs.
*REVISTA DO MUSEU JÚLIO DE CASTILHOS E ARQUIVO HISTÓRICO DO RIO GRANDE DO SUL. Publicado sob a direção de Dante de Laytano. Saíram só 9 números.
*RIOGRANDENSER MARIEN-KALENDER -   Porto Alegre: Livraria Selbach.
*SERRA-POST KALENDER: BRASILIANISCHES JHARBUCH.  Publicado em Ijuí, RS, pela Casa Editora Ulrich Löw.  Lançado em 1922 pelo Correio Serrano (Die Serra-Post), o jornal que iniciou suas atividades em 12.5.1911. Dirigido por Robert Löw, em Ijuí, RS. Com artigos sobre a imigração alemã, circulou no sul do Brasil e no exterior. O almanaque foi extinto em 1978.

quarta-feira, 25 de junho de 2014



CLARINDA DA COSTA SIQUEIRA (1818-1867)

Série: Poetas do Passado Rio-Grandense

Poetisa. Natural de Rio Grande, RS, onde nasceu a 26 de dezembro de 1818 e faleceu na mesma cidade em 27 de outubro de 1867.
Pouco se sabe sobre a biografia de Clarinda da Costa Siqueira. Seu único  livro, póstumo,  “Poesias”, (Pelotas, Livraria Americana, 1881). Contem, além das poesias da autora, uma  necrologia escrita por Antônio  Joaquim Caetano da Silva Junior e uma homenagem à autora, escrita por Carlos von Koseritz.  Fazem referência ao livro Guilhermino Cesar, Sacramento Blake, Mário Osório Magalhães e Rita Scmidt.
Clarinda foi engeitada por sua mãe e criada por Leonarda Joaquina  dos Passos e Maria das Dores Passos. Casou-se, aos 17 anos, com José da Costa Siqueira. No mesmo dia do casamento Clarinda caiu enferma gravemente, declara em sua necrologia Antônio Joaquim.  Também Koseritz refere-se à doença da poetisa, e nada mais se sabe sobre o assunto.
Nota – Colimério Leite de Faria Pinto escreveu – Traços biográficos de Clarinda da Costa Siqueira.  (ver Guilhermino Cesar, Hist. da Literatura do RS, p.311)
Bibliografia
BLAKE, Augusto Victorino Alves do Sacramento. Dicionário bibliographico brasileiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1900. Reimpressão fac-símile, 1970.
CÉSAR, Guilhermino. História da literatura do Rio Grande do Sul. (1773 – 1902). Porto Alegre: Globo, [s.d.]
MAGALHÃES, Mário Osório. Opulência e cultura na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul: um estudo sobre a história de Pelotas (1860-1890). Pelotas: EDUFPel, 1993.
MUZART, Zahide Lupinacci. Escritoras brasileiras do século XIX. Florianópolis: Mulheres, 2000.
Referências
*Cartas de Liberdade (Internet,  em PDF)
*Jornal Eco do Sul, 30 de outubro de 1857, nº 247, ano 13
*Jornal O Comercial, 27 de novembro de 1867, nº 273, ano 11


Propaganda do único livro publicado por Clarinda:  POESIAS - Pelotas:Liv. Americana, 1881
Grande parte de suas poesias encontram-se ainda esparsas em jornais e almanaques do século XIX.

A UM ATOR
Se a virtude não guia um gênio raro,
O vício ofusca do talento o brilho.
A virtude, unida ao gênio, o gênio eleva,
O vício, unido ao gênio, avilta e mata.
(Frederico Ernesto Estrella de Villeroy. Selecta Nacional ou trechos escolhidos de diversos autores nacionaes.  Pelotas:Livraria Americana, 1883, p.262.


SONETO 
Tristes sombras da noite, eu vos desejo!
Só no centro do vosso abismo escuro
É que acharei descanso o mais seguro.
É ele o único alivio que eu elejo.

Adiantar-me para vós é o que almejo;
Meditando em minha vida horas aturo,
Como um ente desgraçado me afiguro!
Só na morte é que o meu descanso vejo.

Porém não, cruel desgraça, não, não pares,
Podes ainda empregar a tirania
Nos mortais restos que de mim achares;
Podes ainda ultrajar-me a cinza fria,

Calcando-a bem aos pés, e então clamares:
<< Em tua vida assim eu te trazia! >>

 Feito de improviso, aos 14 anos de idade, em um jardim.
 (Do livro  de Clarinda - "Poesias", Pelotas:Livraria Americana, 1881.)


sábado, 7 de junho de 2014



LUIZ FELIPE SCOLARI (FELIPÃO) E O GRÊMIO SÃO CRISTÓVÃO


Sede social do Grêmio São Cristóvão situada na rua Mamoré, Bairro Igara, Canoas,RS




O Grêmio São Cristóvão foi fundado em 29 de outubro de 1959, no bairro Igara de Canoas. Em sua sede social a entidade promovia bailes para seus associados e a comunidade local. O nome do time foi posto em homenagem ao padroeiro da igreja São Cristóvão, situada no mesmo bairro Igara. O São Cristóvão permanece ainda hoje, porém, não tem mais a mesma expressão de anos anteriores.
 No clube São Cristóvão, como era conhecido, o adolescente Luiz Felipe participava de comportadas reuniões dançantes.  Não havia ainda um campo de futebol e a turma do São Cristóvão jogava bola em praças e campos baldios, até que Demétrio Machidonski, um taxista que trabalhava na capital gaúcha, ficou com pena dos guris e providenciou um uniforme na loja Cauduro. Era um jogo de camisetas azuis com duas listras verticais amarelas. Demétrio mandou colocar o distintivo do Grêmio São Cristóvão e o time passou a disputar campeonatos de várzea contra equipes de Canoas e adjacências.  
Luiz Felipe Solari fez parte do quadro de jogadores do São Cristóvão. Foi seu primeiro time. Jogava como zagueiro.
Natural de Passo Fundo, onde nasceu em 9 de novembro de 1948. Filho de Benjamim e de Cecy (Leda) Scolari.  Seus pais  mudaram-se para a cidade de Canoas, onde construíram residência no Bairro Igara.  Em Canoas já viviam tio Alcides e tio Alberto, que eram sócios de uma transportadora de Passo Fundo e possuía uma frota de caminhões-tanque. Em 1954, Alcides trocou Passo Fundo por Canoas, para expandir seus negócios.  Um ano depois, Alberto o acompanhou.  Compraram um terreno à beira da BR 116, movimentada rodovia que corta a cidade de Canoas, e começaram a construir um posto de gasolina, inaugurado em 1959.  Em 1964, eles chamaram Benjamim, que veio com  Leda,  e os filhos Luiz Felipe e Cleonice para Canoas. Cleuza, a irmã mais velha de Felipão, preferiu ficar. Tinha constituído família em Passo Fundo. Casada com Euclides Schneider, ela tem quatro filhos:  Darlan (preparador físico que trabalhou no Grêmio e no Cruzeiro, além de integrar a comissão técnica da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2002), Tarcísio, Elson e Delano. 
Em Canoas, Benjamin virou sócio dos irmãos na transportadora  de combustível, enquanto Leda costurava e fazia roupas para fora. Luiz Felipe tinha que ajudar no sustento da casa e passou a trabalhar  no posto de gasolina dos tios, enquanto estudava no curso técnico de contabilidade.
Assim era a rotina do jovem, até que conheceu Olga Pasinato,com 16 anos de idade,  filha do dono do hotel localizado em frente ao posto de gasolina dos tios. O casamento aconteceu nove anos depois, em 1973. Dos 17 aos 19 anos Luiz Felipe jogou no time de várzea de Canoas, enquanto acalentava o sonho de tornar-se jogador de futebol profissional.
Como profissional, Luiz Felipe jogou no Aimoré de São Leopoldo e no Futebol Clube Montenegro, da cidade de mesmo nome, depois foi para o Caxias e o Juventude, jogando sempre como zagueiro, posição na qual recebeu o título de melhor zagueiro do Campeonato Gaúcho de 1978, quando então jogava  pelo Caxias..



 
De pé a partir da esquerda: Adair, Demétrio Machidonski, Adelmo, Hilton, Luizão, Luiz Felipe Scolari (Felipão), Ilton Silva Mendonça, Fabrício, Darci e Tonho Pacheco.
Agachados a partir da esquerda: Antônio Bittencourt,  Demétrio Machidonki Filho, Nelson Dutra, Clóvis Rampon (Foguinho), Brivaldo (Peixinho), Luiz Carlos Fontella, Rui Fontella e Juarez Amaral da Silva.


Foto do ano de 1967.  A partir da esquerda, de pé:  Roberto Taylor, Telmo, José Rubens, Luiz Felipe Scolari (Felipão),  Luizão,  e Hilton.
Agachados, da esquerda:  Sérgio Potrich, Volmar, Nereu Rampon, Demétrio Machidonki Filho e Luiz Fontella. (Fotografia de Toninho Silva)



De pé, a partir da esquerda: Nivaldo, Luiz Santos, Luiz Felipe (Felipão), Carlinhos, Hilton, Roberto, Fabrício e  Darci T. de Moraes – diretor de futebol.
Agachados, a partir da esquerda: Demétrio Machidonski Filho, Clóvis Rampon, Volmar, Telmo e Julio.


Foto do ano de 1965, publicada no  jornal Diário de Canoas, edição dominical de 10 de março de 2002. A madrinha do time era Mariza Amaral da Silva.



Foto de 1967,  tirada no campo do São Cristóvão, hoje transformado no Centro Olímpico Municipal de Canoas. Na foto Luiz Felipe Scolari (Felipão), Hilton e agachado Volmar.

domingo, 25 de maio de 2014

  
PADRE PEDRO LUIS BOTTARI (1905-1983)

Série: Poetas do Passado Rio-Grandense

Foto extraída da revista Rainha
Natural de Vale Vêneto, Quarta Colônia,  à época pertencente ao Município de Santa Maria, RS, onde nasceu  a 29 de julho de 1905 e faleceu em Bagé, RS,  a 23 de agosto de 1983.  Sacerdote Palotino, poeta e jornalista. Foi pároco em Porto Alegre, Santa Maria, Canoas, Cruz Alta e Bagé.  Destacou-se por suas obras em homenagem à Virgem Maria, Mãe de Deus, iniciando pela Gruta de Lourdes, em Vale Vêneto, sua terra natal, e o monumento de Fátima, em Cruz Alta, duas obras por ele idealizadas e realizadas e hoje convertidas em dois lugares de romaria. Em 1972, Pe. Pedro Luis deu início em Bagé, a Rainha da Fronteira,  um monumento com o objetivo de construir logo um santuário  a Nossa Senhora Conquistadora, por considerá-la “a padroeira nata do Estado do Rio Grande do Sul”, já que foi ela a primeira santa que aqui se arrinconou.   

Foto extraída da revista Rainha
A Imagem da Conquistadora foi  trazida pelo Pe. Roque Gonzales de Santa Cruz, o primeiro jesuíta a pisar terras do Rio Grande e aqui celebrar a primeira missa na Redução de São Nicolau, por ele fundada a 3 de maio de 1626, e a levou consigo em uma canoa, num percurso de 50 léguas pelo Rio Ibicuí e lhe pôs aquele nome porque convertia e conquistava os índios.

Padre Pedro Luis publicou artigos sobre assuntos religiosos com o pseudônimo de Aimone Sarmento,  em jornais católicos. Publicou “Crônicas do Paraná”, coluna periódica no Correio do Povo de Porto Alegre, a partir de 1962. Um nome bem conhecido nos meios literários sul-rio-grandenses por seus versos de uma inspiração condoreira e de uma perfeição parnasiana. Como poeta regionalista se destacou, juntamente com outros sacerdotes – Padre Paulo Aripe (Potrilho do Alegrete); Padre Fredolin Brauner;  Dom Luiz Felipe de Nadal  - publicando em livros e na imprensa gaúcha seus poemas, contos e crônicas.  Muitos de seus trabalhos ainda jazem em periódicos, distantes do acesso fácil dos leitores.
Foto da capa da 1ª edição, de 1964

Bibliografia:

Maria Teresinha Wang. Santa Maria:  Palotti;  Mina de ouro. Santa Maria: Palotti;  Modelo de mãe ou vida da Beata Ana Maria Taigi. Santa Maria: Palotti, 1933; Mãe Preta. Poema. Jornal “A Ofensiva”, Rio de Janeiro, 1936;  Catiabá. Poema. “Jornal do Dia”, Porto Alegre, 1949;  Cabiúna. Poemas. Porto Alegre, 1950; O monumento. Poemas. Porto Alegre, 1951; Sonetos do pampa. Santa Maria, 1963; O diamante negro de Canoas ou Tio Bastião Coelho. Biografia. Canoas: Hilgert, 1964. 86p. Duas edições foram publicadas, todas hoje muito raras;  Padre Caetano Pagliuca.   Biografia. In “Revista do IHGSM”, Santa Maria,  n.2, jul. 1964;  Crônica da província. In ”Revista Eclesiástica Brasileira”, Petrópolis, RJ, v.28, fasc.2, jun. 1968; A virgem crioula. Crônica histórica. In “Correio do Povo”, Porto Alegre, 05  jan. 1969;  A face de Deus no Cosmos.  Crônica. In “Correio do Povo”,  Porto Alegre, 22 fev. 1969;  A capital mundial da loucura. In “Correio do Povo”,  Porto Alegre, 04 mar. 1969; Visitei a família do Padre Reus.  In revista “Notícias para os nossos amigos”, Porto Alegre, n.106, jul. 1970; Em Caaró o sangue se fez luz. In revista “Rainha”, Santa Maria, n.667,  nov. 1978; Conquistadora: a madrinha crioula do gaúcho. In  revista “Rainha”, Santa Maria, n.661, maio 1978; O gênio do pampa. Poema cíclico gauchesco. 1ª Ed., Santa Maria: Palotti, 1958.  Desse poema foram publicadas três  edições. É a obra que ainda pode ser encontrada com certa facilidade nos sebos da capital.
Foto da capa da 1ª edição, de 1958

domingo, 11 de maio de 2014





RAUL  SOTERO  DE SOUZA (1892-1972)

Série:  Poetas do Passado Rio-Grandense


Foto de autor desconhecido


Há muitos anos ouvi meu pai falar de um poeta e trovador repentista que andava pelas emissoras de rádio de Santa Maria, RS, e cidades vizinhas – Jaguari,  São Vicente, Mata, São Pedro do Sul e outras. E que havia escrito um livro de poesias gaúchas. Seu nome: Raul Sotero de Souza. Isto ficou guardado em minha memória. Anos mais tarde li esse nome em um livro sobre o cantor e trovador Gildo de Freitas, que despertou meu interesse em buscar informações sobre o poeta. A pesquisa não avançou muito.
Raul Sotero de Souza foi poeta, gaiteiro e trovador repentista, natural de  São Gabriel, RS, onde nasceu em 1892 e faleceu em Santa Maria, RS, em 1972. Publicou os livros “Desperta, Rio Grande”, prosa e verso, Santa Maria:Editora Pallotti, 1962; “Inspiração de um gaúcho”, versos regionalistas.
Segundo o Guia do Folclore Gaúcho, de Augusto Meyer, Raul Sotero compôs um ABC sobre pelos de cavalos. Fomos buscar o texto indicado por Augusto Meyer no livro “Dicionário Enciclopédico do Rio Grande do Sul, organizado por Aurelio Porto, onde consta o ABC sobre pelos de cavalos, recolhido pelo historiador Walter Spalding:
“ABC – (populário) – Poesia popular, comum a todo o Brasil, mas muito usada e de modo particular, no Rio Grande do Sul.  No Norte do Brasil seu fim principal é o amor. No Rio Grande do Sul, a vida campeira, a vida heróica, o cavalo, entremeado, as vezes, por sentimentos amorosos. Essas poesias, geralmente quadras setesílabas, tem também o nome de ABECEDÁRIO.  Cada estrofe deve começar por uma letra  do alfabeto. São, no geral, simples canções, outras, cartas a amigos. Cezimbra Jacques em seu “Assuntos do Rio Grande do Sul”, transcreve o “Abecedário da moçada da coxilha”, mas incompleto, somente até a letra O.  Simões Lopes Neto  também transcreve esse tipo de poesia popular em seu “Cancioneiro Guasca.”  São, no geral, poesias mal feitas, como a poesia do povo.   Raul Sotero, poeta popular de São Gabriel, escreveu o seguinte ABC, precedido de uma explicação em verso, para o Sr. Alfredo Faria:
“Senhor Alfredo Faria,
para seu lado vou eu
em busca de um cavalinho
que o senhor me prometeu,
e pelo tempo que faz
decerto já se esqueceu.

E como promessa é dívida
o senhor tenha paciência;
mas peço me desculpar
eu estar com exigência,
pois dizem que Deus ajuda
a quem faz a diligência.

Assim lhe mando estes versos
para não mais esquecer,
que neles também lhe peço
pensar o que vai fazer.
Em prova de gratidão
vou mandar-lhe um ABC.

No ABC que lhe mando,
nas mesmas letras declaro,
em qualquer qüera não ando:
o meu gosto é muito raro.
Mas dos pelos que eu explico,
Aceito, creia, meu caro.

Alazão é pelo lindo !
si eu pudesse merecer
por ser a primeira letra
deste mimoso ABC.

Baio também me agradava,
si vós quizesseis me dar.
Si não tiver por quem mando,
eu mesmo vou lá buscar.

Colorado, gosto muito
por ser um pelo decente;
mesmo rosilho prateado
me deixaria contente.

Doradilho também serve;
é pelo que já gostei.
também num zaino bragado
muita carreira ganhei.

Entrepelado, que lindo
por ser um pelo exquisito;
eu aceitava me rindo
porque sempre achei bonito.

Fazendo os versos que mando,
talvez tenha algum engano:
estava agora pensando
que pode ser um tubiano.

Gateado é pelo bem maula,
mas  não quero pra carreira;
dá pra defender a pátria,
pra salvação da bandeira.

Há ! que saudades que tenho
do meu rosilho tostado !
De rédea, era uma balança !
Cortava por qualquer lado.

Iscuro, me dá saudades
do tempo de minha infância:
era o que mais eu zelava,
era o melhor lá da estância.

Já que trato deste assunto,
desejo sair servido:
mesmo azulejo ou bragado,
não tenho o tempo perdido.

Cavalo branco é azar,
para os dias de trovoada:
como sou muito devoto,
não tenho má fé de nada.

Lubuno na cancha é maula,
mas no rodeio já presta.
Si assim ganhar, me contento:
sete consolo me resta.

Mouro é sempre garantido
num pelado de rodeio.
Também ovêro rosado
é pelo que não odeio.

No que receba estes versos
feitos de tão boa fé,
deveis lembrar que um gaúcho
é triste viver a pé.

Oh ! que saudades que tenho
de um malacara que eu tinha,
das quatro patinhas brancas,
presente de uma madrinha.

Picaço é pelo macaco
de cavalo caborteiro;
mas se ganhar, me contento,
por não me custar dinheiro.

Que estes versos vão cair
nas mãos de muito boa gente,
que um pingo dado de gosto
quem ganha fica contente.

Ruano é pelo de gosto
por ele tenho paixão;
para apartar um rodeio
num dia de marcação.

Salino é pelo mui raro
que só por sorte da gente;
ovêro-chita e bragado
si ganho fico contente.

Tordilho no rio é peixe;
tostado é bom mas não tanto;
pampa de todos os pelos
também me serve, garanto.

Uma história bem escrita
a um homem de educação,
dá pra avaliar os poderes
da força da inclinação.

Vermelho de campo é um raio;
melado é fraco e traiçoeiro;
mas este mesmo eu aceito
por não me custar dinheiro.

Xará, só mesmo um acaso,
ou por ventura no mundo,
somente o pelo é remisso
que não alisa um segundo.

Zaino, vai por despedida,
com ele termino os versos;
que não se esqueça de mim
mais uma vez eu lhe peço.



Há referências ao poeta no livro “Gildo de Freitas” de Juarez Fonseca, Tchê, Comunicações Ltda., 1985, p. 47, o qual veio a cidade de Canoas trazer informações à dona Carminha, esposa de Gildo, que há muito não vinha em casa e nem mandava  notícias. “... eu vim aqui te dizer que era eu que te mandava dinheiro. Fazia os shows do Gildo e sempre tirava um pouco e mandava para ti. Então eu quero te avisar que o Gildo foi embora para outro lugar, e não sei notícias dele. Porisso tu não deves mais contar comigo.”
Raul Sotero participou, como trovador repentista, no “Grande Rodeio Coringa”, famoso programa da Rádio Farroupilha de Porto Alegre, apresentado por Darcy Fagundes e Luiz Menezes, que ia ao ar todos os domingos a noite.  No programa desfilavam outros grandes repentistas – Inácio Cardoso, Teréco Oliveira, Genésio Barreto, Luiz Müller, Portela Delavi, Garoto de Ouro, Preto Limão e Gildo de Freitas.

No festival de música nativista “1º Flete da Canção Gaúcha”, do município de Santa Margarida do Sul, foi criado, em homenagem ao poeta e trovador, o troféu Raul Sotero para a modalidade  melhor intérprete de música do festival.



Décima escrita por Raul Sotero (?)

Segundo Jorge Telles de Oliveira, em seu blog, diz: “Sobre o finado Talco (Tarquino Cardoso), fui vizinho em Rosário do Sul de uma  irmã dele, que também já faleceu, a amiga Geni, que foi quem me deu a décima em que não aparece o autor mas, segundo o estilo da lavra ela é imputada, isto sem confirmação oficial, ao famoso versejador e poeta Raul Sotero de Sousa, natural do município de Lavras do Sul.”