sábado, 19 de abril de 2014

JOÃO PALMA DA SILVA E O RANCHO CRIOULO

Primeiras prendas do Rancho Crioulo

O Centro Canoense de Tradições Rancho Crioulo, foi a primeira entidade tradicionalista criada em Canoas (6.6.1955) e uma das primeiras do Rio Grande do Sul a fazer parte do Movimento Tradicionalista. Antes dele surgiram o 35 CTG de Porto Alegre, fundado em 24 de abril de 1948;   Minuano CTG de Iraí,  fundado em 14 de março de 1949; CTG 93 de Bagé, fundado em 9 de setembro de 1952;  CTG Rincão da Lealdade de Caxias do Sul, fundado em  29 de outubro de 1953.
De um texto, cuja autoria nos é desconhecida, transcrevemos relato dos inícios do Rancho Crioulo:
“A ação preparatória para a fundação de um centro de tradições na cidade de Canoas, durou dois anos.  Nesse espaço de tempo, ou seja, a partir de 1953, o iniciador do movimento, Sr. João Palma da Silva, desenvolveu pessoalmente intensa campanha de divulgação, entre as classes sociais canoenses, do sentido e dos objetivos do tradicionalismo.
Foi uma campanha difícil, pois o assunto era ainda inteiramente novo em todo o Estado, e até sofria, na época, interpretações muito controvertidas.  Havia mesmo quem considerasse o Tradicionalismo nascente como um movimento separatista em incubação, afirmando que se procurava reeditar a revolução de 1935. Outros, ainda, afirmavam que o tradicionalismo não passava de uma palhaçada, inaugurada  por  fanáticos e saudosistas. Enfim, a incompreensão era quase geral, sobretudo numa cidade como Canoas, cuja população era imensamente heterogênea.
Durante sua campanha João Palma da Silva teve portas batidas no rosto, quando procurava difundir seu ideal.  Sabia ele que o tradicionalismo, como movimento cultural, não poderia ser dinamizado por pessoas incultas e sem trato social.  Por isto fazia questão de mobilizar, para a fundação de seu centro, pessoas em condições de compreender, pelo menos na generalidade, o sentido da obra projetada.  Sabia também que muita gente iria confundir o tradicionalismo que, sendo um movimento, implicava necessariamente,   em orientação intelectual, com o regionalismo que é apenas um estado mais ou menos emocional em relação aos costumes e vivências próprias do povo.  Não ignorava também a que perigos estaria sujeito o centro de tradições, se fosse invadido por pessoas sem cultura, embora amantes das motivações gauchescas.  Estas pessoas, além da confusão que fariam, se tornariam exacerbadas e, como tal, funestas, como acontece com os nacionalistas extremados.
De modo algum a tarefa se apresentava fácil. Entretanto, como contava com amigos intelectuais da Capital, prontos a auxiliá-lo, bem como já contava com o apoio  de alguns intelectuais de Canoas e pessoas instruídas, considerou chegada a ocasião.  Com o propósito de tranqüilizar a população civil de Canoas acerca da idéia apregoada, segundo a qual o tradicionalismo “era uma doida aventura separatista”,  cercou-se de um grupo  de companheiros de farda para a arrancada decisiva.  Sendo a Aeronáutica um órgão federal, obviamente não iria partir dali semelhante absurdo.  Dias antes da fundação do Centro, no alojamento da Companhia de Guardas, então comandada pelo major Geraldo Gilberto Ludwig, João Palma da Silva realizou, com Bolivar Madruga Duarte e o referido major, a reunião preparatória para a fundação.”
ATA DE FUNDAÇÃO DO CCT RANCHO CRIOULO
“Aos seis dias do mês de junho de mil novecentos e cinquenta e cinco , reuniram-se na sede do “Clube Gaúcho” os interessados na fundação de um centro de tradições que tomou o nome de “Rancho Crioulo” Centro Canoense de Tradições,  homenagem pelo nome tomado ao belo livro de poesias de João Palma da Silva, poeta e folclorista idealizador do movimento tradicionalista nesta cidade.  Aberta a sessão inaugural pelo Major Alberto Lopes Peres, este chamou para  constituir a mesa presidencial o Exmo. Sr. Prefeito Municipal Sady Fontoura Schwitz, o historiador e folclorista Walter Spalding e o jornalista e poeta Antônio Augusto Fagundes.  O Major Alberto Lopes Peres passou a palavra ao Prof. Walter Spalding, convidado a presidir a sessão inaugural. Ao assumir a presidência da mesa, o Prof. Walter Spalding dirigiu breves palavras à assistência,  interrogando sobre a proposição feita para que a fundação fosse nesta data presente.  Pela aquiescência unânime dos presentes, o Rancho Crioulo Centro Canoense de Tradições foi dado como oficialmente fundado.  E, por constar, eu, Bolivar Madruga Duarte, secretário Ad-hoc, lavrei a presente ata que vai por mim datada e assinada, com a aposição das assinaturas de todos os presentes. Canoas, 6 de junho de 1955. Aprovada: Walter Spalding.”
Assim , graças a uma campanha preparatória de dois anos, árdua e difícil, a fundação do Rancho Crioulo contou com a  presença de mais de oitenta pessoas, que foram os primeiros associados e fundadores.
PRIMEIRA DIRETORIA DO RANCHO CRIOULO
Encerrada a sessão de fundação, o presidente da Mesa, Prof. Walter Spalding, instalou uma sessão ordinária, na qual foi aclamada a diretoria sugerida em chapa única e que foi assim constituída: Presidente (Patrão) João Palma da Silva; Vice-Presidente (Capataz) Antônio Canabarro Tróis;  Secretários (Sota-Capataz)  Bolivar Madruga Duarte e Rubem Costa;  Tesoureiros (Agregados) Sady Ouriques Charão e Abelardo Rubim Filho.  Para o Conselho Fiscal (Vaqueanos) foram eleitos  os seguintes cidadãos: José João de Medeiros, Dr. Sezefredo Azambuja Vieira, Breno Costa, Major Geraldo Gilberto Ludwig, Dr. Tulio Medina Martins e Dr. Edson Medeiros.
Para os respectivos departamentos, foram escolhidas as seguintes pessoas:  História, Dr. Eugênio Carneiro; Folclore,  João Canabarro Tróis;  Artes, Professora Ondina Flores Soares; Social, Professora Jacy Vargas; Museu e Biblioteca, Professora Sara Del Cueto Reis;  Campeira, Alcebíades Machado.
Com um mês de Existência, o Centro aumentava em várias dezenas o seu número de associados, vindo a realizar a 6 de julho uma assembléia para a aprovação definitiva dos Estatutos.  Foi nesta Assembléia que um sócio, Sr. Derocy, certamente levado pelo entusiasmo, propôs, sob espontâneo  e caloroso aplauso da assembléia, que os membros do Rancho Crioulo sempre que se reunissem em sessões “vestissem os trajes característicos do gaúcho.”
Ora,  João Palma da Silva, evitara mesmo de dar ao seu “Centro” a designação  de centro de tradições gaúchas (CTG),  como para indicar que o Rancho Crioulo não se destinava a reviver o  gauchismo, como já vinha acontecendo, mas ter apenas como pano de fundo a tradição para atividades mais amplas e culturais.  De uma palestra proferida por ele dias mais tarde, colhemos as seguintes definições que ainda hoje podem servir de forma a qualquer entidade tradicionalista:
“O Rancho Crioulo não foi criado para reviver o passado, mas para estudar o passado do Rio Grande e divulgar, pela arte (cinema , teatro, artes plásticas, apresentações artísticas, outras), e pela palavra escrita ou falada (publicações, conferências ou palestras), aqueles aspectos da tradição gaúcha que possam  contribuir para o melhoramento da sociedade. E, como é óbvio,  considerando que a sociedade está em perpétua evolução.  Para o Rancho Crioulo, ao contrário do que acontece à maioria dos CTGs  a  idéia nuclear  do Tradicionalismo não está no tosco peão de estância à moda como geralmente é retratado, um tipo sem rumo no tempo e no espaço, mas transfigurado no “Monarca das Coxilhas”, amante da liberdade, sim, mas de domicílio certo, cujas principais qualidades estão no caráter moral.
Não é traje gauchesco, nem a cópia servil ao modo de ser do rústico peão de estância, com suas expressões bárbaras e atitudes grotescas que devem caracterizar o tradicionalismo.   Cumpre compreender que quando poetas e escritores empregam na sua arte termos e modismos gauchescos, eles fazem regionalismo apenas e não tradicionalismo.  Das qualidades de tais obras de arte é que depende a sua maior ou menor importância para o tradicionalismo.  Assim, o valor do poemeto “Antônio Chimango”, de Ramiro Barcelos, consiste na fidelidade com que descreve uma fase da vida pastoril do Rio Grande.  E é o valor, pois, do poemeto, que o torna do interesse do tradicionalista.  Outro tanto se pode dizer da obra de João Simões Lopes Neto.  Entretanto, seria rematada tolice,  e até quixotismo, face ao progresso moderno, se se quisesse hoje, mesmo no âmbito de centros de tradições a não ser como manifestação de arte, cultura ou recreação, reproduzir vivências descritas por Ramiro Barcelos e João Simões Lopes Neto. 
Sendo o tradicionalismo um movimento, implica em ter direção cultural, normas corretas para a dinamização de suas atividades.  Não pode, evidentemente, ficar ao sabor de um regionalismo saudosista, que pretende ridiculamente reviver “coisas idas e vividas.” Ao contrário disto o movimento terá ação negativa, vindo a caracterizar-se pela vulgaridade e acabando por cair no repúdio popular. Mesmo nas recreações deve haver comedimento e moderação.
O Rancho Crioulo, centro que pretende ser modelar, deve manter as seguintes normas,  atendendo à época e às condições da sociedade onde vive:
a) – Apenas em apresentações artísticas deverá ser obrigatório o uso de traje gaúcho, bem como nos desfiles a cavalo, isto para os participantes de tais atividades.  Nota: no caso de apresentações folclóricas de outras regiões do Brasil ou de outros países, como Espanha, Portugal, Alemanha, etc., os trajes deverão ser os correspondentes. Tais apresentações artísticas, no centro e fora dele, serão feitas como exibição de teatro, e não com a vulgaridade da vida ordinária.
b) – Nos bailes, as danças serão animadas por música de todo o Brasil, antigas e modernas, desde que ultrapassadas de 15 a 20 anos.  Isto constituirá uma recreação agradável para pessoas de todas as idades, sobretudo para as mais velhas.  O traje para estes bailes deverá ser exclusivamente de passeio. O Rancho Crioulo poderá promover mais as seguintes recreações: Fandangos, com músicas e trajes exclusivamente à gaúcha, só podendo participar das danças sócios trajados à caráter.  Bailes de Carnaval, com fantasia ou não e animados por músicas consideradas ultrapassadas de 15 a 20 anos, pelo menos (carnaval antigo).  Bailes juninos, a estilo caipira, evitando rigorosamente fantasias ou detalhes que choquem pelo mau gosto, como escovas de dente no bolso e coisas assim.
c) – Os desfiles a cavalo só poderão ser feitos dentro de rigoroso critério, com seleção de cavaleiros e montarias, e com um número nunca inferior a trinta campeiros montados, com clarim e bandeiras à frente.  Fora dessas condições é preferível não realizar nenhum desfile.
d) – A ornamentação do salão de festas deve ser rigorosamente à gaúcha, bem como a decoração de todo o ambiente, tudo em estilo artístico.
e) – Os requisitos essenciais e indispensáveis para  integrar o quadro social do Rancho Crioulo, são:  Dignidade moral pública e privada, espírito de cordialidade, de fraternidade e de convivência social. Estas são as tradições gaúchas que importam manter pelo tempo a fora, muito mais importantes que o uso da bombacha ou expressões chulas acaso usadas nos galpões.”
Com esta clara noção equilibrada do sentido de um autêntico tradicionalismo, figurado não apenas na idéia nuclear do centauro dos pampas, mas especialmente na dignidade e caráter moral nele manifesto, João Palma da Silva conclui que o elemento tradição deve servir de fundamento cultural à moderna sociedade rio-grandense, e isto, no que a tradição  tem de sopro espiritual do passado.
Não  diz ele que o tradicionalismo, mesmo como vem sendo processado, haja deixado de operar positivamente.  Mas afirma que as contrafações tem comprometido e desacreditado de tal modo o movimento, que este só se poderá salvar mediante um vigoroso pretexto lançado em congresso.  Ou então que cada centro, que possa contar com liderança intelectual, acabe encontrando isoladamente o melhor caminho.

Segue uma seqüência de fotos tiradas durante a 1ª Ronda Crioula do Rancho, ainda em 1955,  recentemente descobertas, e pertencentes ao acervo do jornalista e pesquisador José Luis Biulchi de Souza.







João Palma da Silva, Padre Leão Hartmann e José João de Medeiros


João Palma da Silva e José João de Medeiros



















terça-feira, 15 de abril de 2014

UM EPISÓDIO DA REVOLUÇÃO FARROUPILHA EM CANOAS

O assassinato do Coronel Vicente Ferrer da Silva Freire.


Cel. Vicente Ferrer da Silva Freire e esposa Rafaela Pinto Bandeira


O Coronel Vicente Ferrer  era natural de Salvador, Bahia, onde nasceu a 5 de abril de 1782, e morreu assassinado em sua fazenda do Rio dos Sinos, então pertencente ao  município de Gravataí, Província do Rio Grande do Sul, a 26 de janeiro de 1836, com a idade de 53 anos. Era filho do Coronel José da Silva Freire e de Maria Pires Álvares de Miranda, ambos naturais da Bahia. Teve o casal mais dois filhos: José da Silva Freire e Manoel da Silva Freire.
 De sua vida na Bahia não há muitos dados. Mas em 1798 assentou praça nas fileiras do 2º Regimento de Linha, onde mais tarde, foi reconhecido 1º Cadete. Em 1802 recebeu o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo, no qual teria chegado a comendador.
Encontrava-se no Rio de Janeiro, em 19 de setembro de 1807, quando foi criada a Capitania-Geral de São Pedro do Rio Grande e a nomeação do primeiro  Governador e Capitão-Geral o Brigadeiro de Cavalaria D. Diogo de Souza, que em 1809 veio com sua corte para assumir suas novas funções e trouxe consigo o já Coronel Vicente Ferrer da Silva Freire, pertencente à 2ª linha.
Mais tarde, por seus relevantes serviços prestados à Província do Rio Grande do Sul, Vicente Ferrer foi promovido a coronel de 1ª linha.
Em 12 de outubro de  1812, na vila de Porto Alegre, perante o Juiz de Fora Dr. Luis Correa Teixeira de Bragança e o vigário José Inácio dos Santos Pereira, casava o Cel. Vicente Ferrer da Silva Freire com   Rafaela Pinto Bandeira (1782-1884), filha do Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira e Josefa Eulália de Azevedo e neta do lagunista e pioneiro Francisco Pinto Bandeira. Herdeira da Fazenda do Gravataí, onde assenta-se hoje o Município de Canoas.
O casal teve 7 filhos, todos nascidos em Porto Alegre: - Diogo Pinto Bandeira da Silva Freire; Maria Josefa da Silva Freire;  Rafaela da Silva Freire;  Maria Sofia da Silva Freire; Maria Luiza da Silva Freire; Vicente Ferrer da Silva Freire e Maria Amália da Silva Freire. Um dos filhos, o Major Vicente Ferrer da Silva Freire (mesmo nome do pai) deu início ao povoamento urbano de Canoas, ao vender chácaras de sua propriedade, em volta da estação ferroviária recentemente inaugurada (1874).
O Cel. Vicente deixou através de seus descendentes as seguintes famílias, que foram se unindo aos Freire e Pinto Bandeira: - Batista Pereira; Vilanova;Nunes de Andrade, Schell; Felizardo; Rodrigues Barcelos; Cunha Rasgado. Franco di Primio; Franco dos Reis; Alberton de Azevedo; Batista Soares; Anes Gonçalves; Cabeda; Silveiro; Maisonette; Paiva Chaves; Eiras; Barreto Viana; Souza Velho; Cirne Lima; Goulart Reis ; Freire de Figueiredo.
Muitos historiadores relataram o episódio da morte do Coronel Vicente Ferrer. Desde J.F. de Assis Brasil até João Palma da Silva, o historiador canoense que foi buscar o relato do episódio do Cel. Vicente em documentos autênticos da época e em depoimentos de antigos canoenses.
Joaquim Francisco de Assis Brasil descreve o episódio em seu livro, hoje raro,  sobre a Revolução Farroupilha:  “Não longe de Porto Alegre, no vale do Gravataí, residia o rico estancieiro Vicente Ferrer da Silva Freire, coronel de milícias, ancião (sic) respeitável, honesto e chefe de grande família. Vicente Ferrer, que não tinha aderido claramente à revolução, inspirava suspeitas aos chefes dela, que resolveram mandar chamá-lo a Porto Alegre com o fim de assegurarem-se do procedimento que intentava ter.  Foi dessa missão encarregado o capitão Rocha, acompanhado de pequena escolta, que partiu com ordem de prender Vicente Ferrer, si, por acaso, ele se recusasse a vir livremente. Chegada à estância a escolta de Rocha, ou porque Ferrer não quisesse acompanhá-la, ou porque fizesse resistência, foi ele preso e imediatamente assassinado. Não se contentando, ainda, os bárbaros assassinos com trucidarem o pobre velho (sic), o mesmo fizeram ao seu filho menor Diogo. Este ato de infame covardia, que nem mesmo encontra desculpa na efervescência do tempo, foi passado, segundo todas as probabilidades, na ausência de Rocha.” (J. F. de Assis Brasil. “História da República Rio-Grandense”. Rio de Janeiro, 1882, p. 99-100).
Parece hoje provado que a escolta agiu por conta própria, à revelia de seu comandante, o capitão Rocha, como relata Assis Brasil.
Antônio da Rocha Almeida  dá outros pormenores do episódio: “O Cel. estava refugiado nas matas de sua propriedade ( Capão do Diogo, nome dado posteriormente ao local da morte, que situava-se no atual bairro Niterói, de Canoas),  acompanhado de seu filho Diogo Pinto Bandeira da Silva Freire, de 23 anos.  Acompanhava-os seu amigo Alferes José Maria Lôbo, também contrário aos farrapos. Após uma busca de vários dias, a escolta divisou, na tarde de 26 de janeiro de 1836, um escravo, que ia levar comida a seu senhor. Fácil lhes foi, seguindo suas pegadas, surpreender os fugitivos. Sabendo que se tratava de homens de grande valor pessoal, a escolta atacou-os à traição, pelas costas, antes que tivessem tempo de oferecer qualquer resistência. Os cadáveres ainda foram profanados pelos bárbaros assassinos.  Do Coronel cortaram uma orelha que, é tradição na família ter andado em mãos de um barbeiro da Vila de São Leopoldo. De Diogo cortaram um dos dedos da mão esquerda.” (Antônio da Rocha Almeida. “Vultos da Pátria”. Porto Alegre:Liv. do Globo, 1966).

João Palma da Silva, que estudou muito bem este episódio da Revolução Farroupilha, conclui que “O Cel. Vicente foi vítima indiretamente de seus próprios companheiros legalistas, como o Presidente Braga, deposto pelos farrapos, e alguns chefes militares que escolheram sua fazenda para organizar uma reação. E, diretamente, foi vítima de um grupo de bandidos que se aproveitou da confusão que reinava naqueles dias.” (João Palma da Silva. “As Origens de Canoas”, 1989, p. 92)

segunda-feira, 14 de abril de 2014

CAJARANA,  CANTOR CANOENSE


Cajarana (José Leonir Padilha Cajarana) - músico nativista canoense, já falecido. Lançou seu primeiro disco "Coplas de um Teatino", em 1994, pela gravadora USA Discos, com músicas de Telmo de Lima Freitas; Amauri Beltrão de Castro; Juliano Jaroski; Mano Oliveira, entre outros. Autor da música "Cantor Canoeiro", que interpretou na "1ª Canoa do Canto Nativo", tendo conquistado o título de canção mais popular do festival.





Diário de Canoas, 28 de junho de 1996

Diário de Canoas, 28 de junho de 1996

Diário de Canoas, 6 de fevereiro de 1998




Foto - acervo Dari Simi 



Foto - acervo Dari Simi


sexta-feira, 11 de abril de 2014

JOÃO PALMA DA SILVA



                                                                                                          Pesquisa Dari José Simi





João Palma da Silva em 1955
Nasceu em Santa Maria, RS, a 27 de abril de 1913 e faleceu em Canoas a 28 de setembro de 1978.  Filho do Capitão Joaquim Antônio da Silva, falecido em 1929 com 55 anos de idade, e de Isabel Palma da Silva, falecida em 1956 com a idade de 85 anos.  Ele natural de Santo Amaro e ela de Uruguaiana. É neto pelo lado paterno do Capitão João Antônio da Silva, criador e veterano da Guerra do Paraguai, falecido em 1886, e de Generosa Gonçalves da Silva; é neto pelo lado materno do Coronel Zeferino Palma, estancieiro em Uruguaiana, onde faleceu por volta de 1887, e de Tereza Palma, da antiga nobreza espanhola. Fez o curso primário na Escola Santa Catarina e na Escola de Artes e Ofícios de Santa Maria.  Cursou o ginásio na Escola Fontoura Ilha, em curso noturno, na mesma cidade. Preparava-se para fazer o curso Jurídico quando foi convidado pelo Brigadeiro Miguel Lampert para reengajar no Terceiro Regimento de Aviação, vindo com essa unidade para Canoas, a 6 de agosto de 1937. Fez curso de Sargento da Aeronáutica.  Foi Intendente da mesma arma. Oficial da Aeronáutica, formado em 1956. Quando chegou em Canoas, era Cabo, mas logo foi promovido a Sargento, e, a seguir,  a Sub-oficial. Passou para a reserva, em  1956, no posto de 1º Tenente.  Casou com Eva Palma da Silva, com quem teve os seguintes filhos:  Walmyr, nascida em Santa Maria, em 1935, e casada com Santini Longoni Netto;  Ayrton, nascido em Canoas, em 1938, e casado com Joana Olinski; Eva, nascida em Canoas e casada com Arildo Poletto. Na década de 50, passou a pesquisar “As Origens de Canoas”, posteriormente editadas. Participante ativo do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Escreveu o livro de poesias regionalistas “Rancho Crioulo”, que deu nome ao Centro Canoense de Tradições Rancho Crioulo, por ele fundado em 6 de junho de 1955. O Rancho Crioulo surgiu pela iniciativa de João Palma da Silva que, em 1955, liderou um movimento artístico-cultural em Canoas. Queria que o Rancho Crioulo fosse muito mais do que um simples Centro de Tradições Gaúchas.  Foi presidente do 3º Congresso Tradicionalista Gaúcho, realizado na cidade de Ijuí, entre os dias 18 e 21 de outubro de 1956. Nos anais desse Congresso, consta discurso de Palma da Silva. Funcionário público municipal e assessor de imprensa da Prefeitura Municipal de Canoas.  Juiz de Paz da Comarca de Canoas desde 1961, nomeado pelo Governo do Estado. Grande incentivador da cultura. Foi poeta, tradicionalista, historiador, ensaísta e jornalista. Pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul; Academia Sul-rio-grandense de Letras, onde ocupou a cadeira n.2,  cujo patrono foi Carlos Von Koseritz; participou do  CIPEL - Círculo de Pesquisas Literárias; da  ARI - Associação Rio-grandense de Imprensa; da  Estância da Poesia Crioula; foi membro do Conselho Municipal de Cultura de Canoas e representante credenciado da Divisão de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura do Estado, no Município de Canoas. Publicou muitos trabalhos na imprensa de Canoas e da capital. No “Correio do Povo”, deixou dezenas de crônicas e ensaios sobre Canoas e o Rio Grande do Sul.  No jornal “O Momento”, de Canoas, por muito tempo manteve a coluna “Tradição”. É vasta e importante a produção literária do autor, esparsa pela imprensa. Foi, sem dúvida, um dos pilares da cultura em Canoas.  Recebeu vários troféus de destaque por suas atividades em nossa Cidade e Porto Alegre.  Freqüentou muitos cursos e simpósios, acumulando diplomas, certificados, cartões de prata e medalhas. De Portugal e da África Portuguesa, recebeu grandes aplausos por sua poesia “Siá Benedita” e outras poesias suas foram traduzidas para idiomas estrangeiros, aparecendo em bilíngüe nas revistas literárias.  Vargas Neto, poeta clássico do regionalismo gaúcho, classificou-o entre os mais expressivos e brilhantes poetas da época.  No folclore, fez excelentes pesquisas, recolhendo contos, lendas, benzeduras e simpatias, que foram apresentados no IV Congresso Brasileiro de Folclore. Manteve intenso intercâmbio cultural com intelectuais gaúchos, destacando-se Paulo Xavier, Carlos Galvão Krebs e o grande historiador Walter Spalding, incentivador do Movimento Tradicionalista no Rio Grande do Sul. É patrono da Biblioteca Pública Municipal de Canoas e da V Feira do Livro de Canoas, realizada em 1989 (homenagem póstuma); patrono da Escola Municipal de Ensino Fundamental João Palma da Silva, do bairro Mathias Velho, Canoas;  nome de rua no bairro Espírito Santo em Porto Alegre .
1 - Bibliografia de João Palma da Silva:
Crônica de São Leopoldo (1896-1933).  Anais do Congresso de História e Geografia de São Leopoldo, Porto Alegre: Globo, 1947;
 Rancho Crioulo. Poesias regionais. Canoas:  La Salle, 1953. 83p.  Reeditado em 1992 pela Biblioteca Pública Municipal João Palma da Silva;
Roque Callage. Ensaio. Separata da revista “Estudos” nº4, Porto Alegre, 1954;  
As Origens de Canoas.  Monografia histórica.  Porto Alegre:  Globo, 1964. 140p.;  2ª edição, 1966, Canoas:  La Salle;  3ª edição, La Salle, 1966, 241p.; 4ª edição, Canoas:  Pallotti, 1989. 241 p. 
 Ensaio sobre a evolução política, social e econômica do Município de Canoas, dividido em aspectos fisiográficos;  cronologia histórica; conquista e povoamento; desenvolvimento; informações diversas e crônicas;
Documentos inéditos da Revolução de 1923. Correio do Povo, “Caderno de Sábado”, Porto Alegre, edições de  29 ago. 1970 e 05 set. 1970.
Pequena história de Canoas. Cronologia.  Canoas:  La Salle.  Editado  pela Secretaria Municipal de Educação e Saúde, 1978. 206p.  Consta  a data de 1978, mas foi publicado somente em 1980;
João Palma da Silva - Tradicionalista. Contos,  crônicas e poesias. Organizado por Dari José Simi. Canoas/SMEC/DC, 1998. 196p.  Coletânea de textos publicados na imprensa local e da capital gaúcha. Contém  dados biográficos de João Palma da Silva.

Grande parte da produção cultural de João Palma da Silva encontra-se esparsa em jornais de Canoas, Santa Maria e Porto alegre.
2 - Bibliografia sobre João Palma da Silva:
João Palma da silva – tradicionalista : Org. de Dari José Simi, Canoas:SMEC/Arquivo Histórico e Museu de Canoas, 1998, 196p.
 João Palma da Silva – crônicas e artigos, 1971-72. Org. Antônio Canabarro Tróis Filho.

1957 - Gino Massoti (violão), João Palma da Silva e Possidônio Longoni,
de pé Gaspar Reis.  Foto de Dari J. Simi


JOCKEY CLUBE DE CANOAS
  (PRADO DE CANOAS)

Fonte: Zero Hora de Porto Alegre



Foto aérea do antigo Hipódromo de Canoas, também chamado de Prado de Canoas, 
situado no bairro Mathias Velho, funcionou nas décadas de 50 e 60. 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

JOSÉ JOAQUIM DOS SANTOS FERREIRA
                  

Pesquisa Dari José Simi


Imagem - do arquivo de Dari José Simi

José Joaquim dos Santos Ferreira nasceu em Portugal a 12 de setembro de 1801, em Vila de Chaves, província portuguesa de Trás-os-Montes.  Aos 13 anos, desembarcou em Porto Alegre, onde residiu por pouco tempo. Viajou para a Província do Maranhão, onde passou alguns anos exercendo a atividade de caixeiro-viajante. Regressando novamente ao Rio Grande do Sul ajudou a fundar o Banco da Província, em reunião realizada a 6 de abril de 1854, na residência de José Luís Cardoso de Sales, onde estiveram presentes, José Joaquim dos Santos Ferreira,  Antero Henrique da Silveira, José Dias de Souza, José Inocêncio Pereira, José Pedro Alves, Joaquim Mendes Ribeiro, William Macrae, Mac Gahen, José Hebert, Manoel Soares Lisboa e José Domingos dos Santos.  Foi aí deliberado redigir uma exposição acerca dos motivos e vantagens da iniciativa, a ser lida em reunião ulterior, para a qual se convidaria maior número de possíveis interessados.  Coube o encargo de redigir a exposição a José Joaquim dos Santos Ferreira, que dele se desincumbiu.
A 30 de abril de 1854, em assembléia destinada a tornar-se histórica, foi resolvida a fundação do estabelecimento de crédito que viria a ser o Banco da Província do Rio Grande do Sul.
No ano de 1838, José Joaquim dos Santos Ferreira casou-se com Maria Luiza da Silva Freire e foi através dela que se ligou a Canoas. Maria Luiza era filha de Vicente Ferrer da Silva Freire e Rafaela Pinto Bandeira, proprietários da Fazenda do Gravataí.  Santos Ferreira tomou posse destas terras por direito de herança de sua esposa em 1861. Entre 1861 e 1879, data de sua morte, residiu no Passo do Gravataí, próximo ao Arroio da Brigadeira.  Existem muitos documentos  “assinados” pela Câmara Municipal de Porto Alegre e por Santos Ferreira, o qual explorava “passagens do Passo do Gravataí”, local que dava acesso à Estrada da Aldeia.
O casal teve 13 filhos:  Ana dos Santos Ferreira, nascida em 1839, casada com Dr. Justo de Azambuja Rangel;  Josefa Eulália dos Santos Ferreira, nascida em 1840, casada com Augusto Batista Pereira, filho do Barão do Gravataí; Maria Luiza Ferreira, nascida em 1842, casada com José Silveira Neto; Leonor Ferreira, nascida em 1844 e falecida em 1926, casada em primeiras núpcias em 1863 com José de Souza e Silva Filho. Casou em segundas núpcias com Manoel Gomes Ribeiro; Elisa dos Santos Ferreira, nascida em 1845, casada em 1862 com João de Assis Pereira Rocha;  Clara dos Santos Ferreira, nascida em 1846, casada com Boaventura Augusto dos Reis, viúvo de Amélia dos Santos Ferreira;  Amélia dos Santos Ferreira, nascida em 1847 e falecida em 1866, casada com Boaventura Augusto dos Reis, em 1864;  José dos Santos Ferreira, nascido em 1849, casado com Flora de Lima; Álvaro dos Santos Ferreira, nascido em 1854 e falecido em 1864;  Alberto Virgilio Ferreira, nascido em 1855, casado com Dorotéia Davina Chagas; Pedro dos Santos Ferreira, nascido em 1859;  Rafael Pinto Bandeira Ferreira, nascido em 1862 e falecido em 1939, casado com Honorina Úrsula de Souza Feijó, em 1883;  Olavo Plácido Ferreira, nascido em 1864 e falecido em 1940, casado com Maria Thompson dos Reis, nascida em 1873, filha do General José Salustiano dos Reis, herói da Guerra do Paraguai.
Santos Ferreira deixou um diário, onde registrou inúmeros dados importantes para o conhecimento de fatos relativos à sua família.
Uma das principais artérias da cidade de Canoas, a  avenida Santos Ferreira,  recebeu o nome desse ilustre personagem de nossa história, ainda  pouco conhecido dos canoenses.  Tudo começou em 1895, quando a estrada que ligava a Aldeia dos Anjos, antigo nome do município de Gravataí, a Canoas, que na época era o 4º distrito de Gravataí. A estrada foi batizada de Santos Ferreira em homenagem àquele antigo proprietário de terras da Fazenda do Gravataí.  Fazenda cujas terras compreende o atual município de Canoas. A estrada da Aldeia fora antigo caminho de tropas nos primórdios do Rio Grande e em sua margem o tropeiro lagunista  Francisco Pinto Bandeira construiu seu rancho, sede da sua Fazenda do Gravataí, no atual Bairro Estância Velha.

José Joaquim dos Santos Ferreira em capa
da revista Província, uma publicação do extinto
 Banco da Provìncia do Rio Grande do Sul


domingo, 27 de outubro de 2013

ANTONIO CHIMANGO, POEMETO CAMPESTRE



Capa da 1ª edição, 1915




Poema satírico publicado em 1915 pelo médico, jornalista e político gaúcho Ramiro Fortes de Barcellos (1851-1916), sob o pseudônimo de Amaro Juvenal.
Antonio Chimango satiriza a figura do poderoso governador do Rio Grande do Sul, Antônio Augusto Borges de Medeiros, representado em gravura  de capa do livreto por uma ave de rapina, o chimango (Milvago chimango). Essa ave habita o sul do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile.
O poemeto campestre, como o chamou seu autor, foi impresso em uma tipografia da cidade de Pelotas (Officina a Vapor no Parque de Pelotas) e distribuído clandestinamente em várias edições.  Hoje contam-se mais de vinte edições da obra que mudou os rumos da história em seu contexto sócio-político de inícios do século XX.
O episódio político que deu origem ao Antonio Chimango teve lugar em 1915, durante o segundo governo de Borges de Medeiros.
Antonio Augusto Borges de Medeiros

Houve, naquela ocasião, uma dissidência no Partido Republicano Rio-Grandense, do qual Borges de Medeiros era o chefe unipessoal, acumulando essas funções com a presidência do Estado.
Causa da dissidência: a indicação do marechal Hermes da Fonseca, que deixara a presidência da República coberto de aleivosias, para ocupar, no Senado, a vaga então aberta na representação do Rio Grande do Sul.
A indicação fora feita por Pinheiro Machado e logo aceita por Borges de Medeiros.
Houve membros do Partido Republicano Rio-Grandense que não concordaram com essa candidatura, entre os quais Ramiro Barcelos, que também pretendia o cargo de Senador, ocorrendo, então, a dissidência partidária  que, por sua vez, daria lugar ao aparecimento do “Antonio Chimango”.
Para escrever a sua obra imortal, Ramiro Barcellos adotou o estilo literário do “Martin Fierro”, de José Hernández e do “Santos Vega, el payador”, de Hilario Ascasubi, obras consagradas do regionalismo argentino.


















Maria Helena Martins escreve que o poema “mostra um ângulo peculiar do gaúcho e do seu contexto vivencial, através de um espírito crítico, amargo mas humorado, que lhe valeu a caracterização de “poema satírico” ou “sátira política”.  Para o público sul-rio-grandense das primeiras décadas deste século (século XX), seria transparente tratar-se da caricatura de um período político e de seu expoente no governo Borges de Medeiros.”





 “Antonio Chimango é um poema narrativo, composto de cinco  cantos (rondas, para o autor), num total de 1278 versos, dispostos em sextilhas. Cada ronda contém duas partes, apresentando episódios diversificados e mais ou menos independentes, mas cuja inter-relação levará a compreender a obra de modo efetivo. Em cada ronda, a parte inicial gira em torno de paisagem  e do homem da Campanha, em sua lida diária, bem configurada na caracterização da personagem Lautério. E este velho tropeiro cantador se torna elemento de ligação, pois na parte final de cada ronda, é quem relata a trajetória – do obscuro nascimento à conquista do poder – de “um tal Antônio, Chimango por sobrenome”. (Maria Helena Martins – “Agonia do Heroísmo, contexto e trajetória de Antonio Chimango”. Porto Alegre:Editora da UFRGS; L&PM, 1980, p. 31)




  
Ramiro Fortes de Barcellos
 (Museu Municipal de Cachoeira do Sul)



























Natural de Cachoeira do Sul, RS, onde nasceu a 23 de agosto de 1851 e faleceu em Porto Alegre a 28 de janeiro de 1916. Era filho de Vicente Loreto de Barcellos e Idalina Pereira Fortes. Médico formado pela Escola de Medicina do Rio de Janeiro;  foi Ministro Plenipotenciário do Brasil na República do Uruguai;  Secretário da Fazenda e   Deputado Provincial do Rio Grande do Sul ; Senador da República pelo Estado do Rio Grande do Sul.
Segundo pesquisas de Guilhermino Cesar nas coleções da Biblioteca Rio-Grandense, da cidade de Rio Grande, "já em 1882, quando fundou com Graciano Alves de Azambuja o jornal O Novo Mundo, de vida efêmera, adotava Ramiro Barcellos o pseudônimo de Amaro Juvenal. Em 6 de janeiro de 1883, no quinto número da mesma folha, publicou o folhetim Único, onde satiriza  a incontinência  do Imperador na concessão de títulos nobiliárquicos.  E no primeiro número de A Federação , que é de 1º de janeiro de 1884, publicou com o mesmo pseudônimo a famosa Carta a D. Isabel. (V. Guilhermino Cesar, O outro Amaro Juvenal, in Suplemento Literário do Diário de Notícias, de 29 de junho de 1958). 
Mais tarde, quando do seu rompimento com o chefe do partido a propósito da candidatura de Hermes da Fonseca, ele mesmo se refere ao Amaro Juvenal que assinava artigos de aguda mordacidade, mas desta vez para comunicar que o adversário terá sua biografia traçada pelo mesmo satirista.  Observa então em artigo publicado no Correio do Povo de agosto de 1915, sob o título Comentários políticos: “Na campanha a que me atirei, na nobre tentativa de salvar por um protesto solene a honorabilidade de nossa terra natal, opus-me à vontade do Sr. Borges de Medeiros, mas não o insultei, não o injuriei, não o enxovalhei, não ataquei a sua honra pessoal. S. Exc.ª, incapaz de defender com argumentos o atentado político a que ligou a sua responsabilidade , vem agredir-me pessoalmente pelas colunas da Federação. Pois terá o troco que merece, na altura de sua agressão. E vai lucrar muito com isso, porque terá a sua biografia política escrita por um contemporâneo desde o tempo da propaganda e que lhe ficou bem conhecido o valor, desde a passagem de um certo telegrama a Julio de Castilhos, logo após o golpe de Estado do Sr. Lucena. Essa biografia, porém será escrita por Amaro Juvenal, porque o assunto dá para tirar conclusões alegres de episódios tristes.” (Amaro Juvenal – Antonio Chimango, poemeto campestre. Porto Alegre:Editora Globo, 1961, p.117).
                                             


                                            
                                                Auto-retrato de Ramiro Barcellos


Capa da 2ª edição, que foi publicada somente em 1923
A capa conservou-se a mesma da 1ª edição de 1915

O autor de Antonio chimango















Folha de rosto da edição de 1932
(5ª edição do Antonio Chimango)
com a continuação feita por Juvenal,
o moço (Homero Prates)




A 3ª edição do poemeto foi publicada em Porto Alegre em 1925 por Amaro Juvenal e sem folha de rosto como a 1ª e 2ª edições.
 A edição feita por Arnaldo Melo, 4ª edição do Antonio Chimango, publicada em Santa Maria, sem folha de rosto, traz  no final do poema a seguinte nota: “A continuação desta história o leitor a encontrará no livro A História de D. Chimango, por Homero Prates”.

Capa da 5ª edição, 1932, de Homero Prates











































                                                                                        
Folha de rosto da  edição da Editora Globo, 1961

Edição de Artes e Ofícios, 2000
Edição de Dino Desidério (Waldemar Corrêa), 1935
Não é o Antonio Chimango de Ramiro Barcellos
Edição da Editora Globo (Coleção Província) - 1952
Edição de Martins Livreiro - 1978




EDIÇÕES DO ANTONIO CHIMANGO, DE RAMIRO BARCELLOS

1915 -1ª - Feita por Amaro Juvenal (Ramiro Fortes de Barcellos), publicada em Pelotas, 1915
1923 -2ª - Publicado por Fernando Barreto, do jornal  Última Hora, 1923 com data de 1915.
1925 - 3ª - Traz na capa Livraria Positivista, Editora Rua da Igreja, Porto Alegre, 1925.
1929 - 4ª - De Arnaldo Melo, Correio da Serra, Santa Maria, 1929.
1932 - 5ª -  "Antonio Chimango e sua continuação", Schmidt Editor,RJ, 1932
1946 - 6ª - Da revista Província de São Pedro, nº6, Editora Globo, Porto Alegre, 1946.
1951 - 7ª - Da revista Erechim, do nº 2 em diante, Erechim, RS, 1951.
1952 - 8ª - Da Editora Globo (Coleção Província), Porto Alegre, em 3 edições: 1952/1957/1961.
S/d    -  Edição da revista Horizonte, Porto Alegre.
1978  - 21ª edição - Martins Livreiro, Porto Alegre, 1978.
1982 - De Martins Livreiro.
1986 - De Martins Livreiro
1998 - 25ª edição - Martins Livreiro, 1998
1999 - Editora Mercado Aberto
2000 - Da editora Artes & Ofícios, Porto Alegre, 2000.

O poema de Ramiro Barcellos provocou várias imitações:

 Waldemar Corrêa  sob o pseudônimo de Dino Desidério publicou "A volta de Antonio Chimango, poemeto gauchesco", 1935;

 Homero Mena Barreto Prates sob o pseudônimo de Juvenal, o moço, publicou Antonio chimango e sua continuação. Rio de Janeiro: Schmidt Editor, 1932. É a 5ª edição, relacionada acima.
Zeca Blau - Trovas da estância do abandono de Da. Brasilia Comarca. Cantadas por Zeca Blau (José Figueiredo Pinto). São Pedro, RS: Ed. da Tip. de O Comércio, 1933, 87p.



OBRAS SOBRE O ANTONIO CHIMANGO  E SEU AUTOR

Mayer, Augusto - Prosa dos pagos. Rio de Janeiro:Livraria São José, 1960

Martins, Maria Helena - A agonia do heroísmo, contexto e trajetória de Antonio Chimango. Porto Alegre:Ed. UFRGS; L&PM, 1980, 182p. 
Traz extensa bibliografia sobre Antonio Chimango e seu autor. A maior parte publicada em periódicos.

Medeiros, Pedro Paulo - Para meus netos compreenderem Antonio Chimango. Santa Maria:UFSM, 1985.
Pires, Ary Simões - Um gaúcho sepeense: tio Lautério.  Santa Maria:Palotti, 1957.