sábado, 6 de abril de 2019




FORROBODÓ NO BOLICHO
Segundo os dicionários da língua portuguesa, forrobodó é baile popular, baile caseiro, arrasta-pé, forró, farra, festança, bochincho, baileco, baile chinfrim.
O mais provável é que forró, baile popular em que casais dançam ao som de ritmos nordestinos seja simplesmente a forma reduzida de forrobodó, termo existente no português desde o século XIX e de significado igualmente festivo, embora não restrito unicamente ao Nordeste do Brasil.
Tirei lá do fundo do baú um caderno de poemas copiados por mim há mais de 50 anos, de um velho almanaque, onde encontrei o poema de Lauro Pulga, Forrobodó no Bolicho.  Esse poema escutei pela primeira vez sendo declamado em uma emissora de rádio da cidade de Jaguari, RS. Do autor, Lauro Pulga, nada encontrei até hoje. Acredito que esse nome seja um pseudônimo.

FORROBODÓ NO BOLICHO
Poema de Lauro Pulga

Buenas tardes, companheiros,
Peço um naco de atenção...
Vão puxando das cadeiras
E se assentando pelo chão.
Vou contar-lhes nessa trova,
 uma linda narração...

Numa tarde de domingo,
Lá pras bandas do Cerrito,
Chega um cabra no bolicho,
Resmungando pro Chiquito:
- Vamo vê, seu bolicheiro,
Passe logo um bom traguito!

E o seu Chico, arrenegado,
Foi falando pro negrote:
-Meu rapaz, não enche os tubos
Que eu destampo o teu cangote,
Largo o relho no teu lombo
E tu vai sair a trote...

Foi então que um bando feio
Veio entrando porta afora:
Eram cabras quixotescos,
Eram tipos lambisporas:
Calças largas, lenços velhos,
De chinelos com esporas...
Dez focinhos de moleque
Que faz beiço mas não chora...

Vão entrando barulhentos,
Se encostando no balcão,
Reclamando vinte tragos,
Ou melhor, um garrafão,
Porque os tipos quando bebem,
Sobra só copo na mão !

Vem um trago e vai um trago,
Desce pinga até a botina
E um sujeito, cola chata,
Já gritou com cara fina:
- Pois nóis semo que nem forde
Que não vai sem gazulina !!!

O Maneco das tranqueiras
Se torcia no violão
E o Joaquim dava compasso
Com o cabo do facão,
Mas o Juca Viralata
Namorava o garrafão...

Era aquele vira e mexe
Na salinha do bolicho:
O pessoal saracoteava
Que nem rato na macega
E o valente Bocatorta
Deu o tom dessa refrega:
- Tome nota, pichotada,
Que quem manda aqui é o dega
E você, seu violoneiro,
Vai largando mais um péga...

- Mas não mesmo, seus malandros,
Não me venham com bobagem !
Reclamou o bolicheiro,
Demonstrando sua linhagem...
- Não permito bagunceira,
Nem sequer por homenagem
E si alguém quer criar caso,
Pois que vá seguindo viagem !!!

Barbicacho ! É a tal da coisa:
Quem mais bate mais entorta,
Pois, erguendo o seu “formiga”,
Berrou logo o Bocatorta:
- Cala a boca, bolicheiro,
Seu nariz de vaca morta
Que te tiro o couro a talho
E o penduro nesta porta !!!

E o Chiquito dava pinga,
Sem largar outra ameaça...
Só, de vez, dizia baixo:
- Vai pro diabo, triste raça,
Que, prá mim, nessas barrigas,
Há enchente de cachaça...

Mas a turma nem ligava
E seguia na festança...
Neste ponto o Bocatorta
Pega prato na balança,
Bate cinco ou sete vezes,
Dando ordem sem tardança:
- Tá na hora, minha gente,
Vamo entrá logo na dança !

Ninguém mais ficou parado
E era aquele bate espora...
As barricas que estorvavam
Foram postas lá prá fora
E os erguidos pela pinga,
Só dançavam com escora...


E a cachaça ia subindo
Ao sabor da bebedeira...
Vai agora o Bocatorta
E comanda da cadeira:
- Tocadores pro balcão
E o Joaquim prá prateleira
Prá que todos encherguemos
O compasso da rancheira !

O Joaquim ficou danado,
Fez nariz de lobo mau,
Mas foi logo obedecendo
Que sinão corria pau...
Se encravou na prateleira
Que nem velho pica-pau !!!

De repente se despenca
Cai por riba do balcão,
Esparrama os tocadores,
Faz em cacos o violão...
Dessa vez nem Bocatorta
Põe em paz a situação...

A bagunça já começa,
A cachaça faz o efeito:
- Porque este, porque aquele,
Porque aquilo não é jeito...
E o facão vai descambando
No nariz de algum sujeito...

Bocatorta grita e manda,
Ninguém ouve suas asneiras
E os facões abrem picadas,
Voam latas e madeiras...
Vinte cortes vacinaram
O Maneco das Tranqueiras
E o Joaquim já está tapando
Oito rombos nas cadeiras !!!

O valente Bocatorta
Virou quase lobisome:
- Macacada – berrou ele –
Vô mostrá que o dega é home !
Já atorei dezoito orêia
Desses cabra sem renome...
Joguei nacos de costela
Prum cuscão louco de fome !
Si não racho vocês tudo
Que me mudem já de nome!!!

Mas no forte do entrevero,
Quando a coisa estava feia,
Entra um grupo de polícias,
Dando cabo da peleia...
Prende o bando de borrachos,
Passa todos na correia...

E o polícia comandante
Lhes gritou de cara cheia:
- Seus malandros, beberrões,
Não se abusa em casa alheia...
Nesses bailes furdunceiros
Tudo acaba é na cadeia !!!













domingo, 10 de fevereiro de 2019






RÁDIO REAL DE CANOAS

A Rádio Real de Canoas - Emissora integrada da "Rede Princesa", foi inaugurada em 21 de junho de 1960, pelo radialista canoense Luiz Carlos Bauer, que foi seu primeiro diretor.
Essa emissora sempre procurou dar oportunidade aos músicos e compositores nativistas e sertanejos de Canoas. Estimulava, assim, os talentos locais. Também artistas de outras localidades vizinhas abrilhantavam a programação da Real.
Ao longo das décadas de 60, 70 e 80, foram muitos os programas radiofônicos da Real, que transmitiam ao público canoense, em apresentações de palco, a nossa autêntica música regionalista. Tinha grande  aceitação popular  as músicas caipira e sertaneja nos primeiros anos da Rádio Real. Mas a música gauchesca não era esquecida. Duplas queridas dos canoenses apresentavam-se nos estúdios da Real. De grande audiência era o programa "Noites Gaúchas", nos anos 60, produzido por João Palma da Silva, que na ocasião era o Diretor Social da emissora. Jamil Cecin Toledo, radialista, locutor, apresentava o programa Noite Sertaneja na Real dos anos 70/80. Felisberto Meireles tinha o programa Pampa e Sertão na Rádio.  
O público deliciava-se com a dupla "Irmãos Ytu"; os "Irmãos Santos"; a dupla caipira de São Paulo, "Inhô Zé e Inhô Pinho"; os irmãos "Osmar e Orlando Setembrino Nogueira"; a dupla sertaneja "Prateado e Belinho", entre outras. 
Irmãos Santos - Rui Batista dos Santos e Asteróide Batista dos Santos - dupla que  apresentava o programa Noites Gaúchas, pela Rádio Real de Canoas, nos anos 60. Os Irmãos Santos também tocaram no programa Rodeio Coringa, da Rádio Gaúcha de Porto Alegre. A dupla animou a programação da Rádio Real de Canoas, com suas músicas gauchescas.
O jornal canoense Minha Querência  (culturadaquerencia.blogspot.com) entrevistou um dos componentes da dupla de música gauchesca, Irmãos Santos, o Asteróide, hoje com mais de 70 anos.
“A dupla canoense Irmãos Santos, Rui e Asteróide, foi montada em 1958 e em 1960 começamos o programa Noites Gaúchas, na Rádio Real de Canoas e fomos até 1964. Participavam artistas como Teixeirinha, Mary Terezinha, José Mendes, Darci Silva e tantos outros. Tínhamos patrocinadores e até chegamos a gravar um LP. Tudo era muito difícil. Naquela época era ou bem a música, ou bem o  serviço. Optamos pelo serviço, pois a música era muito difícil.  Fomos a Curitiba e gravamos pela gravadora Araucária, naquele tempo era um bolachão  (Long Play 78 RPM), era difícil, tínhamos que mandar dinheiro prá eles (reserva de mercado) prá largar 100 discos na praça, mas não deu certo. Ainda tenho o contrato assinado guardado em casa.
Estivemos em Curitiba, depois viemos a Blumenau, tocamos na Rádio Blumenau, fizemos programas por lá, arrumamos patrocinadores naqueles dias, depois viemos a Tubarão, onde temos parentes ali.  Na Rádio Tubá, da cidade de Tubarão fizemos programas, enfim, depois viemos pra Araranguá. Na Rádio Araranguá  também fizemos programas e viemos vindo chegando em casa, foi muito lindo aquele passeio, aquela festa. Chegamos e recomeçamos na Rádio Real de Canoas.
Nós tínhamos muitos ouvintes, no interior, nós fizemos festas, inclusive a Erva Mate Saphira era  nosso patrocinador e nós  fazíamos shows nos cinemas de Canoas. No cinema Rio Branco fizemos a festa, levamos muita erva, distribuímos para o  pessoal e era assim que nós andávamos por toda Canoas. No cinema São Luis, cinema Niterói, inclusive quando vinham os artistas do Rio e São Paulo como Tonico e Tinoco nós fazíamos a abertura dos shows e era muito bonito aquilo tudo, o Teixeirinha vinha também no nosso programa da Rádio Real de Canoas. A dupla Irmãos Santos terminou em 1967.”
Hoje Asteróide trabalha com couro, fabricando chinelos e botas campeiras ali na Casa do Sapateiro, na Gonçalves Dias, centro de Canoas. Seu irmão, o Rui, faleceu em 2006, com 69 anos de idade.
A Rádio Real teve grandes apresentadores de programas gauchescos e sertanejos. Destaque para Juan Darcy, que também foi diretor da emissora em 1967. Apresentou "Terra Nativa" e "Charla de Galpão". Edu Rocha, o radialista que trouxe para a Rádio Real a dupla Nhô Zé e Nhô Pinho, artistas que tocavam na Rádio Itaí de Porto Alegre.  Edu Rocha foi o fundador da Orquestra Tabajara, nos anos 50, que apresentava-se na Rádio Continental de Porto Alegre; era sargento da Aeronáutica de Canoas; violonista e apresentador de programas gauchescos da Rádio Real. Chimarreando na Querência, era um dos mais antigos programas tradicionalistas do rádio gaúcho, apresentado aos sábados das 12 às 14 horas na Rádio Real de Canoas, por Gontran Goulart, o poeta do Alegrete.
Nos anos de 1991 e 1992, Juan Darcy publicou a coluna "Terra Nativa" no jornal canoense "Expresso do Vale", com notícias dos CTGs da Grande Porto Alegre e  textos de história, folclore, tradicionalismo, chasques, etc.
Miraguaio e Bernardinho - Eram os animadores do programa "Rancho do Miraguaio", que ia ao ar todos os domingos das 18 às 19 horas, pela Rádio Real de Canoas., com músicas sertanejas e gauchescas.
Prateado e Belinho era uma dupla sertaneja surgida em Canoas nos anos 60. Tem gravados  dois discos.
Em uma nova postagem informaremos mais dados sobre essa dupla nascida em Canoas.
Artistas da capital gaúcha apresentavam-se com frequência nos programas de auditório da Real - Teixeirinha e Mary Terezinha, Gildo de Freitas, Portela Delavi, Luiz Müller, José Mendes e tantos outros.
Mais tarde, anos 90, a Real mudou o nome para Rádio Visão, mantendo o programa "Rádio Frequência", apresentado por Meirelles (Felisberto Meirelles), diariamente das 17 às 19 horas, com música nativista e sertaneja. 

terça-feira, 28 de agosto de 2018




João Carlos d’Avila Paixão Côrtes
*12.7.1927
 +27.8.2018

Assinava sempre Paixão Côrtes, nome pelo qual era mais conhecido. Falar de Paixão Côrtes em poucas linhas é uma temeridade, o homem é um símbolo do nosso Rio Grande, é como não dizer quase nada do que ele foi. Nasceu na cidade de Santana do Livramento, RS, a 12 de julho de 1927. Formado em Agronomia, porém, dedicava-se inteiramente à pesquisa e divulgação do folclore gaúcho pelo Brasil e pelo mundo.
Publicou 28 livros, todos com a temática do nosso regionalismo e a cultura do gaúcho em todos os seus aspectos:  a história, o folclore, a música, a indumentária,  a dança, as festas populares, etc.  Foi modelo para a estátua do Laçador, do artista plástico Caringi, em 1954, hoje eleita a estátua símbolo de Porto Alegre.  Destacou a importância  do tradicionalismo na difusão da cultura gaúcha.  Foi precursor do Movimento Tradicionalista, que teve início em 1947 em Porto Alegre, liderando um grupo de jovens estudantes do Julinho (Escola Julio de Castilhos), onde o mesmo grupo criou o “Departamento de Tradições Gaúchas”. Paixão Côrtes e Barbosa Lessa viajaram pelo Rio Grande do Sul pesquisando e registrando toda a nossa cultura musical folclórica, que resultou no “Manual de Danças Gaúchas”.
Paixão Côrtes dedicava-se, juntamente com sua esposa, em divulgar seu conhecimento através de cursos e palestras em entidades, escolas e CTGs. Além dos livros que publicou, gravou muitos discos e participou de filmes.
Tive a feliz oportunidade de assistir a um de seus cursos, quando veio em Canoas, na extinta Fundação Cultural.
Hoje (27.8.2018) perdemos este símbolo do nosso Tradicionalismo. Certamente vai fazer muita falta. Mas com certeza continuará guiando os caminhos das tradições do Rio Grande.

Capa de livro

Capa de livro

Capa de livro

Capa de livro

Capa de livro

Livro

Polígrafo

Capa de disco

Capa do 1º disco do Conjunto Farroupilha, de 1953, 
com músicas de Paixão Côrtes e Barbosa Lessa.

Verso da capa do disco do Conjunto Farroupilha




Monumento do O Laçador








LP com músicas folclóricas resgatadas por Paixão Côrtes 
e Barbosa Lessa e interpretadas por Inezita Barroso


Verso do disco anterior



Paixão Côrtes e Barbosa Lessa 
com o disco Danças Gaúchas


Paixão Côrtes


Paixão Côrtes aos 5 anos


1962 - Paixão Côrtes grava a Valsa do Passeio
tocada pela Sra. Amália


 1972 - Paixão gravando músicas do Sr. Moises Mondadori,
 antigo funcionário da fábrica dos Discos Gaúcho


1950 - Pesquisa o balaio

1982 - em Soledade, RS

2016 - Chama Crioula no Julinho



João Carlos d’Ávila Paixão Côrtes
*12.7.1927
+27.8.2018

Transcrevo aqui um artigo publicado em 2017 do Carlos C. Paixão Côrtes, filho de João Carlos d’Ávila Paixão Cortes, por relatar importantes passagens e atividades da vida de seu pai. 
“Formado em Agronomia, teve sua vida profissional ligada a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul onde desenvolveu trabalhos ligados a Ovinotecnia, em destaque a introdução da tosquia australiana e a tipificação de carcaças.
Em 1947, liderou os estudantes que fundaram o Departamento de
Tradições Gaúchas do Grêmio Estudantil do Colégio Júlio de Castilhos em Porto Alegre, célula-mater do Movimento Tradicionalista Gaúcho.
Esse núcleo estudantil foi o centro agregador para um grupo de jovens
que protagonizaram pioneiramente momentos marcantes na história do tradicionalismo. Ele e sete companheiros, trajados e montados tipicamente à gaúcha, algo inédito na época, formou o “Piquete da Tradição” que desfilou, em Porto Alegre, fazendo a guarda de honra da urna funerária dos restos mortais do general farroupilha Davi Canabarro.
Este Departamento criou, durante a primeira Ronda Crioula, uma série de solenidades culturais e cívicas que deram origem aos símbolos da Chama Crioula e do Candeeiro Crioulo, e inspirou a criação da Semana Farroupilha.
Participou ativamente do grupo, onde estavam presentes Barbosa Lessa e Glaucus Saraiva, que fundou o “35 Centro de Tradições Gaúchas”, o primeiro CTG, compondo a primeira diretoria como Patrão de Honra.
Estima-se que existam mais de 4.000 entidades gauchescas de diferentes constituições (CTGs, piquetes, grupos de danças, conjuntos musicais, etc) que congregam cerca de cinco milhões de pessoas no Rio Grande do Sul, em quase a totalidade dos estados do Brasil, e em diversos paises da Europa, da América do Norte, e da Ásia.
Seu trabalho foi reconhecido pelo povo do Rio Grande do Sul, ao ser
escolhido por voto espontâneo, como um dos “Vinte Gaúchos que Marcaram o Século XX” , colocando-o entre exponenciais figuras como Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, João Goulart, Érico Veríssimo, Mário Quintana, Barbosa Lessa e outras personalidades.
Nacionalmente foi distinguido, pelo, então, Presidente da República
Fernando Henrique Cardoso, com a Comenda da “Ordem ao Mérito Cultural”, por serviços prestados à cultura brasileira.
Do Governo do Estado do Rio Grande do Sul recebeu a “Medalha Negrinho do Pastoreio”, como reconhecimento por serviços prestados à cultura, e a “Medalha Assis Brasil”, em destaque por seu trabalho em prol da agropecuária.
Por sua atuação nos mais diversos segmentos, igualmente recebeu significativas homenagens e distinções, por diferentes entidades das áreas de ensino, da cultura, das artes, da literatura, das representações governamentais, da agropecuária, da economia, da religiosidade e da representação popular. Igualmente, empresta seu nome a Museu, a CTG, a praça, e a premiações em distintos
municípios gaúchos.
Convidado pelo consagrado escultor Antônio Caringi, em 1954, Paixão
Côrtes teve a honra de posar, com suas roupas campeiras e laço de 14 braças, para o artista esculpir a estátua do “O Laçador”, que inicialmente foi colocada em gesso na exposição em comemoração do IV Centenário de São Paulo. Em 1958, a obra escultural eternizada em bronze, foi erguida em praça pública à entrada de Porto Alegre, sendo deslocada, em 2007, para o “Sitio do O Laçador”.
Recentemente, sua Sant’Ana do Livramento homenageou-o com obra estatutária de Sérgio Coirolo, colocada na entrada da cidade, saudando o visitante da fronteira.
Paixão Côrtes, que iniciou suas pesquisas folclóricas junto com Barbosa Lessa ainda no final da década de 40, desenvolveu um notável trabalho de “garimpagem” junto ao genuíno homem do campo por perdidos rincões do estado gaúcho. No transcorrer do tempo, necessitou custear, as expensas próprias e sem auxílio de qualquer órgão governamental, os filmes, as fitas magnéticas e os
equipamentos – gravadores, filmadoras, e máquinas fotográficas, utilizados para registrar um fértil manancial da cultura popular gauchesca.
Deste trabalho como pesquisador no nosso estado, em outros estados
brasileiros, e em diversos paises da América Latina e da Europa, resultou um acervo de milhares de slides, de centenas de fitas gravadas, de horas de filmes em super 8 e em VHS, de raros registros fonográficos da “Casa A Eléctrica” pioneira produtora do selo gramofônico “Discos Gaúchos”, e de inúmeros documentos sobre os hábitos e costumes rio-grandenses.
Tendo como foco a divulgação deste material, colaborou com diversos artigos para jornais e revistas, apresentou teses aprovadas em Congressos Tradicionalistas e de Pesquisadores da Música
Brasileira, palestrou em simpósios e encontros culturais, participou de programas de rádio e televisão, colaborou com documentários, entre outras atividades culturais.
Profissionalmente realizou cursos sobre tradição, folclore e danças tradicionais, ensinou professores em especializações em faculdades, realizou espetáculos de danças, e como radialista
utilizou seus programas de rádio, ao longo de quatro décadas para propagar seus estudos e para oportunizar espaço para manifestação da cultural popular do homem do campo.
Desenvolveu nas últimas décadas, o Projeto MOGAR – Momento Gauchesco Artistico-Cultural Rio-grandense, no qual editou, com textos e fotos do seu acervo pessoal, cerca de quatro dezenas de
livros, opúsculos, folhetins, e folders, num total de 350 (trezentos e cinquenta) mil publicações que estão sendo distribuídas gratuitamente para enriquecimento cultural de bibliotecas públicas, de entidades educacionais, de Centros de Tradições Gaúchas, de Grupos Artísticos, de escolas, e de diversos grupos propagadores da cultura gauchesca.
Assim, em 70 anos de múltiplas atividades, Paixão Côrtes, sempre foi
um tropeiro cultural. Se em um momento estava em terras européias cantando e dançando a alma da sua terra, em outro estava pesquisando e resgatando as manifestações autócnes do povo sulino, para, em seguida, estar transmitindo e divulgando-as pelos diversos rincões do Brasil, contribuindo, assim, definitivamente na formação da identidade do gaúcho riograndense.
Chegando aos 90 anos de idade, decidiu recolher-se na intimidade do convívio familiar. Vai dar uma pausa na sua atuação como homem público pois os anos de tropeada lhe causaram desgastes de saúde. Já não consegue atender igualmente a todas as demandas e não quer preterir ninguém, mas precisa se fortalecer. Espera que compreendam sua decisão.
A sua figura pública sempre foi agente de uma idéia, que foi plantada em solo fértil, e propagou nas novas gerações. Que estas sejam responsáveis pelos novos frutos.
Ele segue observando, organizando e enriquecendo seu extenso acervo documental de pesquisas. O Tropeiro da Tradição agora segue “a despacito” no ritmo do seu tempo, a trançar outros tentos.
Agradece a todos, as mais diferentes manifestações de carinho que continua recebendo.”
Porto Alegre, 02 de julho de 2017.
Carlos C Paixão Côrtes

(filho de J. C. Paixão Côrtes)


quinta-feira, 23 de agosto de 2018




Buffalo Bill ou William Frederick Cody
Texto de Dari J. Simi
Personagem  real que viveu entre índios e cowbois do Velho Oeste Norte Americano.  William Frederick Cody recebeu o nome de Buffalo Bill por ter sido um famoso matador de búfalos, o que hoje seria visto como um sanguinário exterminador de um animal que quase foi extinto, mas naquela época, século XIX, até matar índios era bonito.
William Frederick Cody nasceu em 26 de fevereiro de 1846, perto de Le Claire, Iowa, EUA e faleceu em Denver, Colorado, em 10 de janeiro de 1917, aos 70 anos.
Como guia e grande conhecedor do território do oeste, Buffalo Bill acompanhou a cavalaria do exército americano, que foi construindo fortes e combatendo os índios. Muitos tratados de paz foram assinados entre o governo e as nações indígenas e nunca eram cumpridos pelos brancos conquistadores. Os índios eram expulsos de suas terras e enviados para reservas onde as terras eram inférteis e os seus búfalos, principal fonte de alimentação, não existiam.
No livro “Enterrem meu coração na curva do rio”, escrito por Dee Brown, o autor coletou depoimentos dramáticos de inúmeros chefes índios relatando a triste condição em que eram submetidos. Vale a pena lê-lo.
A partir de 1883, Buffalo Bill deixou de prestar seus serviços ao governo americano e criou um show teatral (Buffalo Bill’s Wild West Show – Show do Oeste Selvagem) para divulgar o que aprendera com os índios e os cowbois. Viajou pelo interior de seu país, e até pela Europa,  apresentando cenas do Velho Oeste. Contradou índios, vaqueiros, Calamity Jane (Jane Calamidade) e Annie Oackley.
Nos Estados Unidos existe um grande museu – Buffalo Bill Center of the West  – que conta toda a história desse grande herói do faroeste, das histórias em quadrinhos (gibis) e dos filmes  da época de ouro do cinema, os anos da década de 1950 no Brasil.
O museu fica na cidade de Cody, Wyoming.  Também na cidade de Le Claire, Iowa, existe outro museu dedicado à memória de Buffalo Bill. E no Colorado também situa-se o The Buffalo Bill Museum and Grave. Todos são muito visitados por turistas do mundo inteiro.
Sempre fui fã desse herói dos quadrinhos e do faroeste, gênero este que foi muito curtido pela juventude de minha época. Trocávamos gibis antes do início do matiné, nas tardes de domingo em frente ao Cine Vitória, ficava na rua Itororó, ou no Cine Rex do centro de Canoas.
Para curtir um pouco dessa nostalgia, fotografei alguns livros, gibis e filmes do Buffalo Bill, que guardo em minha coleção. Algumas fotos copiei de um site americano. Para aumentar a foto clic em cima.


Gibi de 1955 da RGE
Buffalo Bill entre índios sioux



Capa de livro 

Buffalo Bill e o chefe Sitting Bull

Buffalo Bill entre amigos




Buffalo Bill and Pawnee Bill

Calamity Jane (Jane Calamidade)


Annie Oakley

Annie Oakley

Capa de gibi americano

Capa de gibi americano








Cidade onde nasceu Buffalo Bill

Livro

Buffalo Bill

Sitting Bull

Gibi nº 1, de 1954, da Rio Gráfica Editora



Notícia da morte de Sitting Bull, 
em 15 de dezembro de 1890 


Sitting Bull


Sitting Bull em nota de 20 dólares



Capa de livro

Capas de livros






Capa de livro





Buffalo Bill




Buffalo Bill aos 19 anos