segunda-feira, 18 de junho de 2018



150 ANOS DO PARTENON LITERÁRIO

Hoje, dia 18 de junho de 2018, exatos 150 anos da inauguração do mais importante empreendimento cultural de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, no século XIX, o Partenon Literário.  Bom momento para revermos textos produzidos por aquela agremiação, que reuniu expoentes da literatura rio-grandense como: Apolinário Porto Alegre, líder e fundador; Caldre e Fião; Lobo da Costa; Delfina Benigna da Cunha; Amália Figueiredo; Hilário Ribeiro; Aquiles Porto Alegre; José Bernardino dos Santos, entre tantos outros.
Ao longo de quase 20 anos, o Partenon Literário conduziu o pensamento da então Província do Rio Grande do Sul, publicando regularmente literatura local e promovendo eventos culturais na Porto Alegre provinciana de pouco mais de 50 mil habitantes.
A imprensa era vigorosa naqueles tempos e vinha desde a Revolução Farroupilha, mas servia mais à política do que à literatura.
O Partenon Literário produziu a “Revista Mensal do Partenon Literário”, que circulou durante uma década, servindo como veículo para a produção literária dos membros da entidade: poesia, contos, romances, ensaios, reflexões e crítica literária.
Foi nas páginas da revista mensal do Partenon que a figura do gaúcho de estância se firmou como protagonista e o pampa como cenário de ficção.  A contribuição mais fecunda do Partenon  talvez tenha sido a implantação do regionalismo, tendo escolhido o tipo humano popular (gaúcho) associado às atividades pastoris como a base da expressão artística.
O momento é um bom convite para revermos leituras ou buscar novos textos daquela geração de brilhantes literatos que nos legaram obras fundamentais.
Anexo algumas fotos dos poucos livros que tenho em minha biblioteca de autores do Partenon Literário e também da Revista Mensal.












terça-feira, 8 de maio de 2018




A CASA  “A ELÉCTRICA” E OS SEUS “DISCOS GAÚCHO”
Pesquisa de Dari José Simi
Temos em nossa coleção de  discos dois muito raros que foram gravados e prensados em Porto Alegre pela 4ª fábrica de discos do mundo e 2ª da América Latina, a Casa “A Eléctrica”, do italiano Savério Leonetti, que funcionou de 1913 até 1924. A loja ficava na Rua dos Andradas, 302, e a fábrica de gravação e prensagem dos discos de rótulo “Disco Gaúcho” e  em 1915 também  o rótulo “Atlanta”, para  gramofones, inaugurada em 1º de agosto  de 1914,  na rua Sergipe, entre os bairros Glória e Teresópolis.  Inicialmente, os discos eram gravados de um lado só, em 78 RPM, anos depois as gravações eram feitas nos dois lados do disco.
Naquela época existia uma fábrica de discos nos Estados Unidos, outra na Alemanha (Odeon Records, 1903) e uma terceira no Rio de Janeiro, a Casa Edison, fundada por Fred Figner em 1900 e a partir de 1902 passou a gravar discos que eram prensados na Alemanha. Em 1912 instalou-se no Rio de Janeiro a fábrica de gravação e prensagem de discos  Odeon  Talking Machine, dirigida por Fred Figner, a primeira fábrica de discos instalada no Brasil, produzindo os discos de rótulo Odeon.
A Argentina e o Uruguai ainda não tinham fábrica de discos, somente estúdios de gravação,  e mandavam prensar seus discos na Alemanha e Estados Unidos.  Com o advento da Primeira Guerra Mundial (1914-1917), isto não foi mais possível.  Passaram, então,  a prensar seus discos na fábrica da Casa A Eléctrica. Os rótulos dos discos do  Uruguaios eram: Atlanta e Artigas. Os rótulos dos discos  Argentinos  eram:  Era, Era Grand Record, Odeon, Victor Record, Atlanta, Pathé, Tele-Phone,  e outros. Todos foram prensados em Porto Alegre.
O primeiro argentino a gravar disco na fábrica de Savério Leonetti em Porto Alegre foi Francisco Canaro, que gravou o primeiro tango registrado em disco no mundo, El Chamuyo, com o rótulo Atlanta.  Outros artistas argentinos, uruguaios e paraguaios, estiveram em Porto Alegre para gravar seus discos-  Roberto Firpo, Augustin Barrios, Octávio Dutra, entre outros.
Foram muitos os grupos musicais, bandas da brigada e do exército, Grupo dos Fanáticos de São Leopoldo, cantores e outros artistas gaúchos que gravaram músicas para os discos da Casa A Eléctrica.
Destacamos aqui  o “Cavaleiro Moysé”, como era chamado Moysés Mondadori (1895-1976), tocador de gaita de botão e funcionário assíduo da fábrica de discos.  Participou da gravação de 57 discos.  Nos anos da década de 70, já com idade avançada, foi descoberto por Paixão Côrtes que fez inúmeras gravações de suas músicas e filmagens. A primeira gravação em disco do Boi Barroso foi feita por Moysé Mondadori em 1914 em um “Disco Gaúcho” da A Eléctrica.  O Boi Barroso do Moysé pode ser ouvido no youtube, pelos interessados.
A história dos “Discos Gaúcho” é longa e muito interessante.  Faz parte dos primeiros momentos da indústria fonográfica mundial e existiu aqui em Porto Alegre. A casa onde funcionou a fábrica de Savério Leonetti ainda existe e está em precárias condições de conservação. Fiz apenas um pequeno  resumo.


Primeiro tango gravado em disco, do mundo. 
Foto tirada do livro de Hardy Vedana

Disco Gaúcho, gravado em 1914. 
Da coleção de Dari Simi

Disco Gaúcho, gravado em 1914. 
Da coleção de Dari simi

Foto tirada da internet

Foto tirada da internet

Foto atual da casa dos Discos Gaúcho

Casa dos Discos Gaúcho, rua Sergipe, Porto Alegre.
Estado em 2018 

sábado, 5 de maio de 2018




Museu Julio de Castilhos

Estive visitando, recentemente, o Museu Julio de Castilhos, um dos maiores e mais antigo dos museus históricos do Rio Grande do Sul. Seu acervo é muito grande, porem, somente uma parte está exposta. Abaixo vai um pequeno histórico do museu contando a sua origem, formação e aspectos atuais com algumas fotos que tirei.

O prédio principal do Museu Julio de Castilhos, de número 1231, na rua Duque de Caxias, em Porto Alegre, é um destacado modelo de residência urbana aristocrática do século XIX. Foi construído em 1887, com projeto do coronel de engenheiros Catão Augusto dos Santos Roxo, herói da Guerra do Paraguai, para ser sua residência.

Em 1897 foi aberta uma subscrição entre os membros do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) para adquirir o palacete para morada de seu presidente, Júlio de Castilhos, ex-presidente do estado, que passou a ocupá-lo, com sua esposa Honorina e seus seis filhos, entre 1898 e 1903, data de sua morte.

Após o falecimento da viúva, em 1905, o prédio foi comprado pelo governo do estado, e para lá foi transferido o acervo do museu. Em sua memória foi mantida uma sala, reconstituindo o antigo dormitório do casal e seu gabinete.

Em 1909 a casa foi reformada para adaptá-la às atividades museais. Em 1925 foram construídas duas salas no pavimento superior, e entre 1968 a 1973 realizaram-se obras no telhado, forro, assoalho e nas redes hidráulica e elétrica, sendo reaberto a tempo de comemorar os seus 70 anos.

Em 1980 o governo adquiriu a casa vizinha, número 1205, construída entre 1917 e 1918, a fim de que os espaços expositivos do museu pudessem ser ampliados. As reformas de adaptação terminaram em 1996. A casa anexa foi moradia de outro ex-governante do estado, Borges de Medeiros, seguidor de Julio de Castilhos. No ano seguinte o casarão principal passou por nova restauração no telhado e no forro. Ambos os prédios foram tombados pelo Patrimônio Estadual, em 1982. Outras obras de manutenção da sua estrutura, revitalização dos seus espaços internos e reorganização da museografia foram executadas em 2007.

Houve tentativas anteriores de criar um museu no Rio Grande do Sul. Um deles funcionou junto ao Instituto Histórico e Geográfico da Província de São Pedro (IHGSP), fundado em 1860, extinto em 1863, e que criou um museu em 1862. Além disso um decreto estadual de 17 de dezembro de 1885 previa a criação de um museu estadual, o que aparentemente não ocorreu.

O Museu do Estado foi finalmente criado em 30 de janeiro de 1903, por decreto de Borges de Medeiros, então presidente do estado, como museu antropológico, artístico e histórico, para abrigar objetos que vinham sendo coletados desde 1901 e estavam depositados nos pavilhões construídos para a 1ª Exposição Agropecuária e Industrial do estado, que aconteceu no atual Parque da Redenção.

Seu primeiro diretor foi Francisco Rodolfo Simch, dirigindo até 1925, com um intervalo entre 1919 e 1922, quando assumiu interinamente Hugo Debiasi. Em 1905 o museu foi transferido para a casa de Júlio de Castilhos, e em 1907 renomeado Museu Júlio de Castilhos, quando passa a servir funções celebrativas ao político.

Constituído de quatro seções: zoologia e botânica; mineralogia, geologia e paleontologia; antropologia e etnografia; e a seção de ciências, artes e documentos históricos. O museu permanecia a maior parte do tempo com suas portas fechadas ao público, recebendo somente pesquisadores, fornecendo pareceres técnicos, principalmente à Secretaria de Obras do Estado, ao qual era vinculado.

Até a década de 1920 pode ser enquadrado na categoria de Museu de História Natural. Em 1925 foi desligado do Serviço Geológico e Mineralógico da Secretaria de Obras, passando à tutela da Secretaria do Interior.

Sob a direção de Dante de Laytano, em 1954, os objetivos do museu foram redefinidos, passando a museu histórico, priorizando o folclore e o estudo das tradições. Assim, desvincula-se do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, e desmembra suas coleções de história natural e arte moderna, dando origem ao Museu de Ciências Naturais e ao Museu de Arte do Rio Grande do Sul, criados no mesmo ano.

Em 2004 iniciou um projeto de informatização do catálogo de sua coleção, facilitando o acesso das informações a pesquisadores, público interessado e à própria equipe da casa. Em 2005 a instituição recebeu verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a instalação de um completo sistema de segurança interno, com câmeras de vídeo, monitores e sensores anti-furto.

O acervo do museu é voltado para a preservação e divulgação de materiais de várias épocas e locais importantes para a história do Rio Grande do Sul, democratizando o conhecimento e possibilitando a formação de visões críticas sobre a história local. As mais de dez mil peças, tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), se agrupam em uma ampla variedade de categorias, como iconografia, armaria, documentos, filatelia, heráldica, elementos das culturas indígenas, indumentária, instrumentos musicais, instrumentos de trabalho, máquinas, medalhas, peças de arte missioneira, mobiliário, numismática, objetos decorativos, objetos de uso pessoal, objetos ligados à Revolução Farroupilha e à Guerra do Paraguai, sigilografia, tesserologia, utensílios domésticos e viaturas.