quinta-feira, 22 de março de 2018



APARÍCIO SARAIVA

Pesquisa de Dari J. Simi

Aparício Saraiva ou Saravia (1856-1904) como era conhecido no Uruguai, foi político, militar, estancieiro e caudilho do Partido Blanco do Uruguai. Nasceu na estância de seu pai, o brasileiro Francisco Saraiva, no Departamento de Cerro Largo, Uruguai, a 16 de agosto de 1856 e faleceu em Santana do Livramento, RS, Brasil, a 10 de setembro de 1904. Em 1893, Aparício entrou no Rio Grande do Sul com uma tropa de quatrocentos homens, juntando-se com seu irmão Gumercindo Saraiva. Fato que deu início a Revolução Federalista no RS. Com a morte de Gumercindo em 1894, Aparício tornou-se general das tropas federalistas e ao final da revolução, em 1895, retornou ao Uruguai com grande prestígio. Comandou a Guerra de 1904, no Uruguai e na batalha de Masoller foi ferido mortalmente. As fotos que aqui divulgamos são cópias que pertencem ao Museu das Relíquias Gaúchas, administrado por Dari José Simi.


Morte de Aparicio Saraiva




Aparício Saraiva



Aparício Saraiva



Armamento tomado por Aparício Saraiva 
ao exército uruguaio, em 1904





Da esquerda, de pé - Arthur Maciel, Estácio Azambuja e Domingos Ribas.
Sentados - Colares Brasil, Aparicio Saraiva, Gumercindo Saraiva e Cesário Saraiva.
Foto de 13 de outubro de 1893, em Passo Fundo, RS.


Gumercindo Saraiva, irmão de Aparício Saraiva

Gumercindo Saraiva, irmão de Aparício

Gumercindo Saráiva





Falecimento de José Ribeiro Fontes

Faleceu no último dia 7 deste mês de fevereiro de 2018 o meu amigo José Ribeiro Fontes. Como homenagem, quero divulgar aos amigos algumas notas biográficas do José Fontes que publiquei no meu livro Intelectuais Canoenses.
 "Natural de Morretes, localidade do atual município de Nova Santa Rita.
Pseudônimo: Zé dos Anjos. Jornalista, radialista, ator, dramaturgo e contista. Proprietário do jornal “Canoas Shopping/Jornal da Cidade”. Assessor de imprensa da Emater. Iniciou no jornalismo em 1956, em Canoas, com o “Boletim Informativo” - 1952 - do qual era proprietário juntamente com Mauro Ferreira Marques e Mário da Silva Collares, e que em 1959 transformou-se no jornal “Gazeta de Notícias”. Publicou em Canoas os seguintes periódicos: Cine Show - 1965 - Opinião Pública - 1968 - Canoas em Foco - 1969 - Interclubes Revista da Cidade e Jornal da Cidade - 1979-82. Escreveu para o jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Foi redator das rádios Gaúcha, Farroupilha, Itaí, Difusora, hoje Bandeirantes. Colaborou para o jornal “O Timoneiro”. Foi editor do “Jornal Radar” e “Folha da Indústria e Comércio” - 1984. Autor de mais de 500 peças teatrais para a rádio Difusora, levadas ao ar no programa “A vida é assim”. Na rádio Farroupilha participou das novelas “O direito de nascer” e “A cabana do pai Thomas”. Atuou nos programas “Aconteceu” da rádio Itaí e “Campeonato em três tempos”, na rádio Gaúcha. Participou de “Uma lenda de Natal”, primeiro programa do canal 12. Representou, em 1964, no “Teleteatro”, juntamente com Antônio Jesus Pfeil. Fez os programas humorísticos, dirigidos por Carlos Nobre: “A banda do sapateiro” e “Comando Albatroz”. Redigiu para o programa “Quem conta um conto” - 1966. Sua grande paixão é o teatro. Em 1962, estreou seu texto “Uma pequena rosa entre os cabelos” com Jorge Morais e Nilton Leal no elenco. Escreveu as seguintes peças teatrais: A herança dos homens; O sermão do asfalto; Vende-se um vestido de noiva e Cantiga que vem do mar ou Réquiem para uma sereia. Como ator participou de “João Cruzeiro” de Antônio Augusto Fagundes com direção de Pereira Dias e “Chico da Favela 13” de Wilson Roberto Gomes. Fez parte do elenco do primeiro filme de ficção realizado em Canoas, “O sonho do pedreiro” de Antônio Jesus Pfeil. O romance do escritor francês Georges Bernanos, “Mouchete”, foi adaptado por José Fontes para uma peça teatral, “Os homens de pedra,” e serviu de tema para um filme de Robert Bresson. A produção literária de José Fontes encontra-se esparsa nos jornais de Canoas e da Capital.
Bibliografia de José Fontes:
O presídio que está faltando. Crônica. O Timoneiro, Canoas. 08 maio 1968. Publicada em “Cronistas de ontem e de hoje-1”. Canoas: Tróis Editor, 1994. p.12; O circo. Crônica. Revista Interclubes, Canoas, dez. 1977. Publicada em “Cronistas de ontem e de hoje - 2”, Canoas: Tróis Editor, 1995. p.10." (Do livro "Intelectuais Canoenses", de Dari José Simi. Canoas, 2000).
Guardo com muito carinho o "santinho" que ele me deu quando de sua campanha para vereador de Canoas.



José Ribeiro Fontes e filha






quarta-feira, 21 de março de 2018



NELSON CARDOSO E “O TEMPO E O VENTO” DE ÉRICO VERÍSSIMO

Pesquisa de Dari J. Simi

Guardo em meu acervo um documento precioso, são mais de 200 páginas do roteiro de “O tempo e o Vento”, adaptação e realização de Nelson Cardoso, da obra de Érico Veríssimo, para a extinta TV Piratini, canal 5, dos anos 1960.
O que quero aqui não é falar do “O Tempo e o Vento” e sim de Nelson Cardoso, famoso radialista gaúcho da Rádio Farroupilha de Porto Alegre. Nasceu em Porto Alegre em 7 de dezembro de 1926. Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Seu primeiro trabalho na área radiofônica foi como redator comercial da Rádio Farroupilha, que era dirigida na época por Manoel Braga Gastal. Nelson Cardoso trabalhava então escrevendo propagandas dos patrocinadores da rádio. Foi o idealizador e escritor da Banca de sapateiro levado ao ar em torno do meio dia na Rádio Farroupilha de Porto Alegre nos anos 50 e 60.
O primeiro programa de Nelson Cardoso foi o "Sinos da Tarde", em 1947, que era transmitido diariamente, ao final do dia, e tinha como som característico um som de sinos batendo. Esse programa foi inspirado em outro famoso programa da época, o "Ave Maria". Com o sucesso do programa, Nelson Cardoso tornou-se um dos locutores oficiais da rádio.
Nelson Cardoso faleceu em 7 de agosto de 2006.
Não encontrei material de divulgação sobre “O Tempo e o Vento” de Nelson Cardoso.
Para ilustrar este texto acrescento algumas fotos do meu acervo sobre “O Tempo e o Vento” da minisérie da Rede Globo e capas das primeiras edições da obra de Érico Veríssimo.
Em memória de Nelson Cardoso - Jayme Copstein
“Foi nosso colega Felipe Vieira, da Band, que me ligou para dar a notícia, no fim da tarde. Havia falecido Nelson Cardoso, um dos grandes nomes do rádio antigo e pioneiro da televisão no Rio Grande do Sul.
Instantaneamente me vieram à lembrança cenas daquele passado distante, na metade final dos anos 40, quando ambos, pouco mais que meninos, começávamos nossa carreira em Porto Alegre, escrevendo programas para a Rádio Farroupilha, cujo prefixo, então, era PRH.2. Logo em seguida, Nelson Cardoso projetou seu nome como criador e redator de coisas inesquecíveis, como Banca de Sapateiro, Qual o nome desta mulher, Páginas da Vida e mais uma infinidades de outras obras primas.
Seu personagem mais popular foi o sapateiro da banca, criado inicialmente por Walter Ferreira e depois continuado até o fim por Walter Broda, tendo o contra-ponto de Pinguinho e Alda Cotrim, sucedida mais tarde por Marisa Fernanda, na pele da dengosa dona Clarinda. Mas se essas foram as figuras mais marcantes do seu repertório, Nelson Cardoso criou também bordões que se perpetuaram, como “trabalhas na casa? Descontas INPS?” Ou então, o gostoso “fritador de bolinhos em caçarola de matéria plástica”, para fustigar políticos demagogos, cujo discurso cheio de voltas não quer dizer coisíssima alguma.
Os despojos de Nelson Cardoso foram cremados, e isso é da contingência humana. Mas a sua contribuição para um rádio e uma televisão que divertisse, entretivesse e instruísse os ouvintes e telespectadores ficará para sempre.”

Nelson Cardoso em foto de  1958

Originais de "O Tempo e o Vento",
adaptação de Nelson Cardosos



Foto da mini-série O Tempo e o Vento, da Rede Globo.
Tarcisio Meira, Louisa Cardoso e Gilda Sarmento.

Foto da mini-série O Tempo e o Vento, da Rede Globo.
Tarcisio Meira, Gilda Sarmento e Edith  Siqueira.

Mário Lago na mini-série O Tempo e o Vento, da Rede Globo.

Capa de O Tempo e o Vento, 
I O Continente, 1949.

Capa de O Tempo e o Vento, 
O Retrato, 1951, de Érico Veríssimo.




domingo, 11 de março de 2018



Klaus Becker (1920-1997) 
Um historiador alemão que viveu em Canoas

Vida e Obra
Pesquisa de Dari José Simi

Com o presente trabalho resgatamos dos empoeirados arquivos e velhos jornais, textos  de Klaus Becker esquecidos, que penavam por uma luz que os desse à publicidade a fim de justificar a importância desse personagem canoense adotivo, que já vai por anos também esquecido dos meios culturais de nosso Município de Canoas e do Estado do Rio Grande do Sul.
Com a publicação de seus escritos recolhidos de antigos periódicos, trazemos ao conhecimento de todos os interessados e de quantos se dedicam à historiografia sul-riograndense para que possa ser mais conhecida a importante obra de Klaus Becker.
 Infatigável em sua atuação como pesquisador do período da colonização alemã e de seus descendentes em nosso Estado e do Brasil, trouxe à luz do conhecimento histórico inúmeros trabalhos de grande interesse. Sua obra de maior fôlego é Alemães e descendentes - do Rio Grande do Sul - na Guerra do Paraguai, que apesar de intensas pesquisas, como relata,  não conseguiu um estudo completo por falta de documentação, porém, o que relacionou, está baseado em confirmação histórica. Outro livro que organizou e que é hoje fonte importante de pesquisa para o conhecimento da história gaúcha, são os cinco volumes da Enciclopédia Rio-Grandense, (1956-1959). Aí estão reunidos trabalhos de destacados autores que escreveram sobre a formação histórica do Rio Grande do Sul, sua gente, sua cultura e seu progresso, constituindo-se, assim, iniciativas de transcendente relevância para a preservação e aprimoramento do expressivo patrimônio espiritual e cívico que nos legaram as gerações passadas.
Entre tantos historiadores alemães que aqui aportaram e divulgaram fatos da colonização teuto-brasileira estão Carlos von Koseritz e Carlos Jansen. Não podemos deixar Klaus Becker de fora dessa lista, pela sua obra, pelo imenso interesse que teve em resgatar a memória dos alemães para aqui emigrados e pela sua participação em entidades que visam preservar a memória de seus antepassados coloniais.
"A sobrevivência literária de um autor é sempre um desafio, na medida em que pode revelar surpresas ou não comprovar hipóteses previamente montadas.  Talvez essa sobrevivência seja o traço de reconhecimento mais autêntico e genuíno sobre a qualidade ou importância de uma obra.  Enquanto vivo, não é difícil para um autor ter visibilidade junto ao meio social, à imprensa, aos círculos literários.  Ele pode circular junto com sua obra.  Mas isso, por si só, não garante êxito nem reconhecimento a ninguém, ou seja, em todas as épocas sempre houve autores vivos e medíocres, ou, pelo menos, ilustres desconhecidos. É verdade também que, não raro, a obra de um escritor pode ser praticamente ignorada durante sua vida, sendo "descoberta", quando já transcorreram décadas ou séculos do desaparecimento de seu autor." (Ângela Treptow Sapper - A sobrevivência literária de Francisco Lobo da Costa. In Letra de Hoje. Porto Alegre, junho de 2007)

Klaus Becker nasceu em Duisburg, Alemanha, cidade da região do Ruhr na Renânia do Norte-Vestfália, a 26 de junho de 1920 e faleceu em Canoas, RS, a 03 de maio de 1997 aos 77 anos de idade. Filho do pastor Rudolf Becker e Paula Meissner. Em maio de 1921, emigrou com seus pais para o Brasil e a família estabeleceu-se inicialmente na cidade de Santa Maria, RS. Iniciou seus primeiros estudos escolares ainda em Santa Maria, continuando em Candelária e Novo Hamburgo por onde andara seu pai como pastor luterano. O secundário, no Instituto Pré-Teológico, em São Leopoldo. Foi prestar vestibular para iniciar seus estudos avançados em Guetersloch, cidade alemã capital do distrito homônimo, na região administrativa de Detmold, estado da Renânia do Norte-Vestfália. A vocação era mesmo voltada para a história. Matriculou-se na Universidade de Goettingen (ou Götingen), cidade universitária no estado da Baixa Saxônia, para cursar História, Língua e Literatura Alemã e História Comparativa das Religiões.  Interrompe os estudos, em 1940, para atender a convocação ao serviço militar (na Aeronáutica), sendo destacado para o ”Afrika-Korps” (nas ilhas Sicília e Creta).  Em maio de 1945, esteve prisioneiro das forças americanas na Áustria.  Em 1946,  retorna para a Alemanha, onde continua seus estudos superiores na Universidade de Bonn, doutorando-se em 1949.  O título de sua tese foi: “A política do Arcebispo José Clemente, de Colônia, na segunda metade da Guerra de Sucessão Espanhola (1707-1714)”. Volta para o Brasil, São Leopoldo, em fins de 1949. Organiza, em Porto Alegre, o Arquivo Histórico Frederico Mentz. No ano de 1951,  casa-se em São Leopoldo com a jovem Marlies, com quem teve dois filhos gêmeos, Gerrit e Cornelia.  Vem para Canoas no ano de 1953, onde constituiu sua família e permaneceu pelo resto de sua vida.
Sua atividade na área cultural foi intensa e de grande importância, destacando-se como colaborador no Diário de Notícias e Correio do Povo de Porto Alegre, no “Brasil Post” e “Deutsche Nachrichten”, de São Paulo. Supervisor da edição da obra “Da Roma Áurea ao mundo”, da Editora Cultural Brasileira S/A, 1952, impressa em Canoas. Idealizador e organizador da obra “Enciclopédia Rio-grandense”, 1956-1958, impressa pela Editora Regional e lançada em Canoas , da qual projetara 15 volumes, mas somente 5 foram impressos. Delegado do CCT Rancho Crioulo, de Canoas, no Congresso Tradicionalista, em Caxias do Sul, no CTG Rincão da Lealdade, de 13 a 16 de novembro de 1958.    Membro do Conselho de Cultura do Município de Canoas. Adido Cultural do Consulado Geral da República Federal da Alemanha. Conselheiro da Comissão de Pré-Seleção Brasileira-Alemã para a escolha de candidatos a bolsas de pós-graduação de nível superior, na República Federal da Alemanha. Indicado pelo Conselho Departamental da Faculdade de Filosofia da Universidade do Rio Grande do Sul para integrar a Comissão Julgadora do Concurso à Livre-Docência de Língua e Literatura Alemã.  Vice-Presidente e Presidente da Comunidade Evangélica, na Rua Monte Castelo, em Canoas, na época da construção do templo.  Fundador e vice-presidente do Instituto Histórico de São Leopoldo. Pertenceu à Academia Sul-rio-grandense de Letras. Patrono da IX Feira do Livro de Canoas, realizada em 1993. Klaus Becker é nome de rua da Vila Cerne em Canoas.
Bibliografia:
A maior parte da produção literária de Klaus Becker encontra-se esparsa em jornais e  outros periódicos do Rio Grande do Sul, como se pode ver na listagem abaixo:
Passa hoje o 1º centenário da imprensa em língua alemã na América do Sul. (Der Colonist - O Colono). Diário de Notícias, Porto Alegre, 02 ago. 1952. p.3; Aus einen alten Geschäftsbuch. Artigo publicado no semanário "Brasil-Post", São Paulo, 11 e 18.10.1952;  Dr. Theodor Schnapp - 75. Todestag 9.11.1952 - Brasil-Post, São Paulo, 15.11.1952; Was nicht in den Geschichtsbüchern steht. Brasil-Post,São Paulo, 18.9.1954; 1º Centenário da Sociedade "Germânia" (hoje "Independência"). Diário de Notícias, Porto Alegre, 1.6.1955; Arno Philipp (25º aniversário de falecimento).  Correio do Povo, Porto Alegre, 19 nov. 1955; Ten. Cel. Arno Philipp. Diário de Notícias, Porto Alegre, nov.  1955. p.10; Theo Wiederspahn. Correio do Povo, Porto Alegre, 12 maio 1956. p.8;  Instituto Mentz.  Correio do Povo, Porto Alegre, 19 maio 1956; O negro sempre esquecido. Correio do Povo, Porto Alegre,  09 jun. 1956;  Benno Mentz e sua fundação. Correio do Povo, Porto Alegre, 14 jun. 1956; Enciclopédia Rio-grandense. Organizador. Canoas: Regional, 1956/59. 5v. Reeditada pela  Sulina; O episódio dos Muckers. Enciclopédia Rio-grandense, v.2, 1956. p.81-114; A imprensa em língua alemã (1852-1889).  Idem, v.2,  p.265-282; Sírios e outros imigrantes árabes. Idem, v.5,  p.311-321; A imigração no sul do Estado, de 1844-1852.  Idem, v.5,  p.322-372;  Mais um relato sobre os Muckers. Correio do Povo,  Porto Alegre, 18 jul. 1959.  p.11; Sínodo Rio-grandense: 75 anos.  Correio do Povo, Porto Alegre, 20 maio 1961. p.13; Die Brummer und ihr Einfluss in Rio Grande do Sul. Artigos publicados no jornal "Deutsche Nachrichten", São Paulo, 23.4., 30.4., 7.5., 23.5. e 30.5.1961;  A fundação e os  primeiros 30 anos de Teutônia.  In I colóquio de estudos teuto-brasileiros. Porto Alegre:Centro de Estudos Sociais/Faculdade de Filosofia da UFRGS, 1966. p.217-227; Alemães e descendentes - do Rio Grande do Sul - na Guerra do Paraguai.  Canoas:  Hilgert, 1968. 204 p. ilustradas com  fotografias e mapas;  Alfredo Wiedmann - 50 anos de sua morte. Correio do Povo, Porto Alegre, 09 ago. 1970; A integração dos imigrantes alemães.   Revista Signo, Porto Alegre, n.14, p.14-15, out. 1974;  n.15,  p.42-44,  nov.   1974 e n.16, p.21-44, dez. 1974; Os alemães birutas.  São Leopoldo: Sinodal, 1974. Tradução de um trabalho do autor inserido no “Jahrwiser” - 74, p.172-182; A origem dos imigrantes alemães.  Álbum do Sesquicentenário da Colonização Alemã, Porto Alegre: Edel, 1974; Constanz Josephson.  Correio do Povo, Porto Alegre, 25 jul. 1975;  Apontamentos sobre os judeus alemães no Rio Grande do Sul no tempo do Império (1822-1889).    Anais do 1º Simpósio do Instituto Histórico de São Leopoldo. São Leopoldo: Rotermund, 1976. p.183-190; Algumas lideranças alemãs nos primeiros 20 anos da colonização (1824-1844).  Anais do 2º Simpósio do Instituto Histórico de São Leopoldo. São Leopoldo: Rotermund, 1978, p.285-302; Os primeiros alemães no Município de Montenegro.   In Montenegro de ontem e de hoje.  São Leopoldo: Rotermund, 1979, p.159-167. v.1; Os alemães e a Revolução Farroupilha. Folha da Manhã, Porto Alegre, 20 set. 1979; O esporte do bolão no Rio Grande do Sul.  Anais do IV Simpósio de História da Imigração no Rio Grande do Sul, São Leopoldo, 1980, p.249-264;  Razões da participação dos alemães na Revolução Farroupilha.   Anais do III Colóquio de estudos Teuto-Brasileiros.  Porto Alegre: UFRGS, 1980, p.495-501;  A navegação fluvial iniciada pelos colonos alemães (1825-1845). Anais do 3º Simpósio do Instituto Histórico de São Leopoldo. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes, 1980. p.96-123; Geschichtliches uber Canoas - RS.  Brasil - Post, n. 1873,   08 nov. 1986.  p.11. A vinda dos Brummer há 150 anos. Correio do Povo, suplemento Letras & Livros, Porto Alegre, 19 de dezembro de 1981, p. 14.

Estamos resgatando toda a obra de Klaus Becker que se encontra esparsa em antigos periódicos e a publicaremos em breve em nosso blog O POVO DO SUL.

Armando Würth (discursando), Geraldo Gilberto Ludwig (prefeito de Canoas), Klaus Becker, Hernani Fibronio de Freitas, João Palma da Silva, entre outros não identificados.

Klaus Becker, sentado, no Bar do Kako em Canoas

Trabalhos de Klaus Becker publicados em periódicos.


Relacionamos a partir daqui textos que o autor divulgou pela imprensa e que não foram publicados em livro. 





A vinda dos Brummer há 150 anos

Entre junho e outubro de 1851, portanto há 130 anos, aportaram ao Rio Grande do Sul  entre 1.770, conforme umas, e 1.850 militares alemães, segundo outras fonte.  Esses "mercenários" (originalmente o foram), haviam sido contratados pelo Império Brasileiro para serem aproveitados na Guerra contra o ditador argentino Manuel Rosas. Estes alemães fizeram grandes marchas e contramarchas. Finalmente, só 80 deles participaram da batalha final de Moron (2 de fevereiro de 1852).
Mesmo assim, a contratação desses militares foi um passo certo, devido à contribuição que deram para o progresso cultural e econômico, não só do Rio Grande do Sul (em sua maioria), mas também de Santa Catarina e até do Paraná, em escala decrescente, como não deixa de ser natural, devido à evolução da migração interna nesta parte do Brasil.
O primeiro historiador moderno que se interessou pelos "Brummer" (rezingões) foi o saudoso general Bertholdo Klinger, natural da cidade de Rio Grande. Albert Schmid. historiador alemão, mas radicado aqui, desenvolveu pesquisas a respeito. Atualmente, resolvi continuar com tais sondagens. Trata-se, realmente, de uma turma heterogênea, que se compunha tanto de maus quanto de bons elementos.
Eis a razão porque só em 1881, portanto há 100 anos, surgiu a primeira publicação em língua alemã, o diário do "brummer" Júlio Jorge Schnack, residente em São Caetano ( no atual município  de Arroio do Meio). Ao meu ver, é o melhor diário dos sete a oito dos quais temos conhecimento. Comenta ele (em tradução): " Não obtivemos glórias militares no Brasil, o que não nos deve aborrecer. Vencemos nas atividades civis. Claro que tivemos de aguardar o desaparecimento dos elementos não condizentes, para proclamar com orgulho: "Sou um Brummer".
Esta observação não deixa de ser interessante. Por que?
Acontece, como já foi dito, que a primeira publicação de um diário foi feita em 1881, 30 anos após a chagada dos "Brummer". A segunda manifestação aconteceu 10 anos depois, em 1891, e a  terceira, 11 anos mais tarde, em 1902, todas em língua alemã.
Por esta sequência paulatina já se vê, quão penosas foram as revelações. De um lado, os Brummer deviam ficar envergonhados, por causa de vários ex-colegas beberrões, que faleceram na miséria.  De outro, alguns camaradas já haviam conquistado posições de realce, tanto como funcionários públicos, quanto como comerciantes ou profissões liberais.
Esta evolução contribuiu bastante para que, de 1903 em diante, começasse a proliferar a publicação dos diários. Isso, porém, não consola o historiador porque devido à avançada idade dos sobreviventes, mais atenção se deve prestar à veracidade dos depoimentos. Mas temos a possibilidade de fazer uma comparação entre os seis ou sete diários (existem outros 3 anônimos), para obter uma visão mais ou menos certa. Mesmo assim, permanecem algumas dúvidas.
Para não alongar o presente trabalho, que simplesmente visa lembrar o evento da chegada dos "Brummer" há 130 anos, julgo indispensável mencionar alguns nomes que se destacaram no cenário rio-grandense.
Deveras impressionante é a sua contribuição na área do ensino. Atuaram e tiveram fama como professores os seguintes "Brummer": Andreoli, Antonio - no interior do município de Montenegro; Armbrecht, Cristiano - veio de Teutônia para Porto Alegre; Doebber, Ernesto Germano - Picada Forromeco; Goffard, Adolfo - Bom Jardim (hoje Ivoti); Grunitzky, Otto - em Maratá; Guendel, Roberto - Vera Cruz;  Hoefer, Carlos Frederico Adão - Porto Alegre; Hoffmann, Adolfo - no interior de Santa Cruz do Sul; Iserhard, Carlos - Vera Cruz; Jaeger, Francisco Adolfo - Feliz; Jahn, Carlos (professor de música) - Pelotas; Jansen, Carlos Jacó Antonio Cristiano - também editor e jornalista, em Porto Alegre. Keydel, Benno von - Santa Cruz e São Lourenço do Sul; Koop, João - São José do Hortêncio; Lindner, Gustavo - (professor de música) - Porto Alegre; Lotz, Henrique - Taquara do Mundo Novo (hoje Igrejinha?); Meyer, Henrique - Lomba Grande.  Descendentes: Emilio e Augusto. Michaelsen, Frederico - Linha Nova e Nova Petrópolis. Descendente: Egydio, ex-candidato a governador do Estado. Mieth, Carlos Oscar - Dois Irmãos; Poettcke, Carlos Frederico Teodoro - em Santa Maria da Boca do Monte e Porto Alegre; Proche, Oscar - Lomba Grande; Reisswitz, Frederico Guilherme von - Campo Bom; Roehe, Henrique Harry - Dois Irmãos;  Rogge, Jacó - (professor de dança) - Porto Alegre; Saul, Francisco - na colônia de Taquara do Mundo Novo; Schaefer, Cristovão - (é pastor) - Igrejinha) Schneider, Frederico - Santa Maria da Boca do Monte; Schoenell, Frederico - (é historiador de) - Maratá; Toillier, Roberto - Santa Cruz do Sul.  Um descendente seu é hoje diretor do Colégio Mauá, daquela cidade.
Wedel, Roberto von - Feitoria Velha; Wichamann, Carlos - São Lourenço do Sul (e talvez também Canguçú);
Em segundo lugar mencionarei os artífices (dos quais vários posteriores iniciadores da indústria rio-grandense) e que seriam: Brebrens, Carlos, pedreiro, falecido em fins de 1886 em São Francisco de Assis; Burmeister, Carlos, ourives - São Leopoldo; Dettenborn, Carlos, açougueiro e fabricante de sabão, em Santa Cruz do Sul, hoje com larga descendência no município de Venâncio Aires; Eggers, Henrique Frederico, sapateiro - Porto Alegre; Feldmann, Carlos, sapateiro - Porto Alegre; Fehse, Hugo - fábrica de charutos- Porto Alegre; Gieseler, Eduardo - fábrica de charutos - Porto Alegre; Lau, João , sapateiro - Porto Alegre;  gosh, Carlos, marceneiro e carpinteiro em Passo Fundo; Gundlch, Adolgo Henrique, tipografia e Livraria em Porto Alegre;  Lanzac-Chaunac, Conde Augusto de Litógrafo - Porto Alegre; Mangner, Augusto, sapateiro - Jaguarão; Merkel, Carlos, açougueiro e hoteleiro - Dois Irmãos; Messerschmidt, Augusto - fazendeiro em Júlio de Castilhos; Nagel, Frederico - alambique em Rio Pardinho (Santa Cruz do Sul); Nitzke, Francisco Augusto, padeiro - Pelotas e Porto Alegre; Petersen, João Cristiano Teodoro, fabricante de charutos, Porto Alegre; Rudolph, Carlos Gottlieb, relojoeiro - Tapes; Wendt, Fernando, sapateiro - Porto Alegre; Wichmann, João Henrique, ferreiro - Rio Pardo e Porto Alegre; Como agrimensores e também diretores de colônias conhecemos, entre outros: Brinckmann, Otto - Santa Maria da Boca do Monte; Grote-Tex, Guilherme - Porto Alegre e Bagé; Gaertner, Carlos (posteriormente também empresário) - Porto Alegre; Jahn, Adalberto - São Leopoldo; Kahlden, barão Carlos von - Agudo e São Lourenço do Sul; Koboldt, Gustavo - Maratá e São Gabriel; Lischke, Paulo Maurício - Porto Alegre (também engenheiro); Muezell, Carlos Ernesto - São Leopoldo;  Rue, Francisco Lotário de La - Porto Alegre e Teutônia; Tiedemann, Otto Edger von - Porto Alegre e ?; Oye, Rodolfo Schimmelpfennig von der - Nova Petrópolis.
Foram comerciantes e posteriores empresários os seguintes: Bormann, Guilherme (atacado de secos e molhados) - Porto Alegre, pai do futuro Ministro da Guerra, marechal José Bernardino Bormann.  Born, Henrique (comerciante) - Porto Alegre; Curtius, Júlio, proprietário e redator de jornal em língua alemã - São Leopoldo; Dannemann, Jorge Guilherme (venda) - Porto Alegre.  Seus descendentes foram os fabricantes dos famosos charutos Fehse, João Germano (tabacaria) - Porto Alegre; Guenther, Martin (casa comercial) - São Gabriel, lá conhecido como Guindo;  Klein, João Alexandre (casa comercial) - Hamburgo Velho e Porto Alegre; Lenz, Cristóvão (comerciante e músico) - Porto Alegre; Riethmueller, Henrique (atacado de carnes) - Pelotas; Ruhmann, Guilherme (hoteleiro) - São Leopoldo e Porto Alegre; Schultz, Gustavo 9açougueiro) - Porto Alegre; Stieher, Otto (correspondente de Carlos von Koseritz, para o "Deutsche Zeitung", na guerra do Paraguai) - Porto Alegre.
(Correio do Povo, suplemento Letras & Livros, Porto Alegre, 19 de dezembro de 1981, p. 14)


























quinta-feira, 8 de março de 2018


OS TRÊS SANTOS MÁRTIRES DAS MISSÕES JESUÍTICAS

Pesquisa e imagens de Dari J. Simi


IMAGENS DOS TRÊS SANTOS MÁRTIRES
ROQUE GONZALES DE SANTA CRUZ, AFONSO RODRIGUEZ E JUAN DEL CASTILLOS
Os padroeiros da Província Jesuítica do Brasil Meridional.
Com a aprovação do Vaticano, em 1938, Roque Gonzales de Santa Cruz, Afonso Rodriguez e Juan Del Castillos, mártires riograndenses, foram declarados oficialmente os Padroeiros da Província Jesuítica do Brasil Meridional da Companhia de Jesus.
Os três mártires das Missões Jesuíticas foram declarados santos em solenidade de canonização, através do Papa João Paulo II, ocorrida no dia 16 de maio de 1988, quando eles foram declarados oficialmente Santos Mártires das Missões.
A Província Jesuítica do Paraguai foi criada em 1607 por Diego de Torres Bollo, que foi seu primeiro provincial, e extinta em 1767 com a expulsão dos jesuítas da América Espanhola, ordenada pelo rei Carlos III da Espanha. Sua sede ficava na cidade de Córdoba. Abrangia territórios do Paraguai, Bolívia, Argentina, Uruguai e Brasil (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Em seu território, inicialmente, foram criados os colégios de Buenos Aires, Córdoba com uma universidade, Corrientes, La Rioja, Salta, Santa Fé, Santiago Del Estero, São Miguel de Tucumán, Tarija, Belém e Assunção e as residências de Catamarca e Montevideo.
Durante anos colecionei imagens dos três mártires em santinhos religiosos; visitei por várias vezes a região das Missões Jesuíticas dos Sete Povos, as poucas ruínas que ainda existem; estive em Caaró, local onde foram mortos pelos índios (1628) os três padres jesuítas; comprei muitos livros para conhecer melhor a história das Missões Jesuíticas; compilei toda a vasta bibliografia missioneira em um trabalho considerado inédito para o Rio Grande do Sul e Brasil.
Publico aqui algumas imagens com objetivo de divulgar um pouco da história das missões jesuíticas, que é também, em parte, a do Rio Grande do Sul.



Santinho de 1923








O coração de Roque Gonzales encontra-se hoje 
guardado na igreja Cristo Rei de Assunção, Paraguai



São Roque Gonzales de Santa Cruz

Igreja de Caaró, RS

Igreja de Caaró

Nilza Simi 
Interior da igreja de Caaró

Interior da igreja de Caaró. 
Na foto o autor do blog Dari Simi

A cruz missioneira em Caaró
Na foto Nilza Simi 


Interior da igreja de Caaró

Os três santos mártires na igreja de Caaró, RS


Monumento em homenagem ao padre Roque Gonzales
 de Santa Cruz, em Caaró, RS

Monumento em Caaró, RS



Imagem na igreja matriz do 
município de Dois Irmãos, RS

Imagem na igreja matriz de Dois Irmãos, RS

Capa do livro - Roque Gonzales ou a aurora
 sangrenta da história rio-grandense, 1934
Livro - Vida e obras do padre Roque Gonzales 
de Santa Cruz, 2ª edição, de 1913

Livro - Vida e obras do padre Roque Gonzales 
de Santa Cruz, 3ª edição, de 1928

Livro - Mártires Rio-Grandenses - 
Os heróis do Caaró e Pirapó, 1949

Livro - Os heróis do Caaró e Pirapó




KARL VON KOSERITZ (1830-1890)

Karl von Koseritz foi empresário, político, jornalista e escritor alemão que emigrou para o Rio Grande do Sul no século XIX. Veio na condição de mercenário. Foi um dos Brummer, entre os cerca de 1800 soldados mercenários germânicos contratados pelo governo imperial brasileiro, em 1851, para lutarem na guerra contra Oribe (líder político uruguaio) e Rosas (ditador argentino).
Nasceu a 7 de junho de 1830 em Dessau, Alemanha e faleceu em Porto Alegre a 30 de maio de 1890.
Não devo alongar mais estas linhas, pois existe na internet farto material sobre Koseritz, por ter sido ele importante intelectual e grande líder, defensor dos interesses dos colonos alemães no Rio Grande do Sul. Quero apenas divulgar uma foto muito rara do meu acervo, original do ano de 1881, autografada por Koseritz.


Karl von Koseritz em 1881

Verso da foto anterior com autógrafo de Koseritz