terça-feira, 3 de abril de 2018



O GAÚCHO (OU GAUCH0) - II

Texto elaborado por Dari José Simi

Descendente dos conquistadores ibéricos em linha direta ou cruza com os ameríndios que habitavam a região do pampa: charruas, chanás, guenoas, yaros e minuanos. Afastado dos incipientes vilarejos, o gaúcho saiu em busca do gado selvagem, arbitrariamente, e muitas vezes, à margem das leis sancionadas pela civilização.
Como tipo estratificado, quem primeiro registrou a presença dos gaudérios foi Hernandárias de Saavedra (Hernan Arias de Saavedra, 1564-1634), quando, nos primeiros anos do século XVII, relatou que surpreendera em terras santafesinas “gente perdida que tenia librado su sustento en el  campo”.
No Uruguai e no sul do Rio Grande do Sul, o gaúcho começou a ser observado antes da fundação e dos primeiros momentos da Colônia do Santíssimo Sacramento (1680).  Eles se agrupavam ou se isolavam para sair a caça dos bovinos e cavalares, reiúnos ou das estâncias missioneiras, para comercializar esses e seus subprodutos com Buenos Aires e com os tropeiros luso-brasileiros que demandavam às regiões mineradoras do Brasil, as  Minas Gerais.
No final do século XVI e início do XVII, há registro de que o português Gonzalo Afonso havia aceitado para alguns trabalhos temporários, em sua colônia de Santo Amaro (no atual Rio Grande do Sul), alguns mestiços com as características dos primeiros gaudérios.  Talvez seriam migrantes da tribo dos índios patos (daí o nome da Lagoa dos Patos) e, portanto,  produtos de cruzamento racial.
Na Argentina os gaúchos começaram a ser discriminados ao redor de 1750.  Seu nomadismo e a pouca afeição ao convencional fizeram com que fossem hostilizados e mantidos prudentemente afastados do convívio dos colonos que viviam nas proximidades de Buenos Aires.
O grande  clássico argentino,  Martin Fierro, resgata a figura humana dos campeiros, numa imortal sátira escrita por José Hernandez, na década de 1870.
A integração do gaúcho à vida nacional dos três países da região pampiana começou de forma lenta e gradual, coincidindo com o período de suas independências do domínio ibérico.
No aspecto sócio/militar, vamos encontrar o gaúcho como parte integrante de todos os movimentos que convulsionaram a Argentina, o Brasil meridional e o Uruguai, desde as últimas décadas do século XVIII.
No Uruguai, formaram a base do exército que garantiu para o grande caudilho nacional, General Artigas, a segurança do épico, nos primeiros tempos das lutas pela criação de um Estado independente, que ficou conhecido como o “êxodo do povo oriental”.
No Rio Grande do Sul, serviram como núcleo de cavalaria real e imperial e durante o decênio heróico da Revolução Farroupilha foram temidos pelos adversários e louvados por seus comandantes.
Na Argentina, significativos contingentes foram utilizados no exército nacional, nas campanhas de alargamento das fronteiras internas, nas guerras do ditador Rosas e por todas as facções políticas que se digladiaram nos primeiros anos da jovem república.
Por ocasião da Guerras da Tríplice Aliança (Guerra do Paraguai), o General Urquiza cedeu “10.000 homens da sua cavalaria gaucha de seu exército particular”, para o comando direto do Presidente Mitre, na composição das forças aliadas.

Índios charruas

Foto do início do século XX

Festa campeira. Cartão postal da Argentina, 1911


Cartão postal de 1924

Gaucho da Argentina. Foto de 1868


Fazendeiro. Foto inícios do século XX


Foto do início do século XX

Prisioneiros. Foto original no 
Museo de Lujan, Buenos Aires 





Capa do livro de Manoel Faria Correa

Mulheres usando arreio celim, cerca de 1911. 
Foto Museu Histórico de Caxias do Sul.

Foto de Samuel Boote


Capa da revista Vida Doméstica, de 1935.
General Bento Gonçalves e 
General José Antônio Flores da Cunha




Rafael Pinto Bandeira
Foto de um camafeu feito em Portugal.
Única imagem conhecida de Rafael



Gaúcho primitivo


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