domingo, 11 de maio de 2014





RAUL  SOTERO  DE SOUZA (1892-1972)

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  Poetas do Passado Rio-Grandense

Pesquisa - Dari José Simi

Raul Sotero de Souza - foto da capa do livro Desperta Rio Grande


1950 - A partir da esquerda - Raul Sotero, 
Gildo de Freitas e Francisco Bica




Pesquisa de Dari J. Simi

São escassas as informações sobre a vida e obra de Raul Sotero. Além do livro que temos, o pouco que conseguimos é o que aqui transcrevo. Daí a importância do resgate da memória desses poetas do passado rio-grandense esquecidos, antes que se perca para sempre.
Há muitos anos ouvi falar de um poeta e trovador repentista que andava pelas emissoras de rádio de Santa Maria, RS, e cidades vizinhas – São Gabriel,Cacequi,Jaguari,  São Vicente, Mata, São Pedro do Sul,  e outras. E que havia escrito um livro de poesias gaúchas. Seu nome: Raul Sotero de Souza. Isto ficou guardado em minha memória. Anos mais tarde li esse nome em um livro sobre o cantor e trovador Gildo de Freitas, que despertou meu interesse em buscar informações sobre o poeta. 
Raul Sotero de Souza foi poeta, gaiteiro e trovador repentista, natural de  São Gabriel, RS, onde nasceu em 1892 e faleceu em Santa Maria, RS, em 1972. Publicou os livros: “Desperta, Rio Grande”, prosa e verso, Santa Maria:Editora Pallotti, 1962, que é a continuação do livro “Inspiração de um gaúcho”, versos regionalistas.
Segundo o Guia do Folclore Gaúcho, de Augusto Meyer, Raul Sotero compôs um ABC sobre pelos de cavalos. Fomos buscar o texto indicado por Augusto Meyer no livro “Dicionário Enciclopédico do Rio Grande do Sul, uma raridade, organizado por Aurelio Porto, onde consta o ABC sobre pelos de cavalos, recolhido pelo historiador Walter Spalding:
“ABC – (populário) – Poesia popular, comum a todo o Brasil, mas muito usada e de modo particular, no Rio Grande do Sul.  No Norte do Brasil seu fim principal é o amor. No Rio Grande do Sul, a vida campeira, a vida heroica, o cavalo, entremeado, as vezes, por sentimentos amorosos. Essas poesias, geralmente quadras setesílabas, tem também o nome de ABECEDÁRIO.  Cada estrofe deve começar por uma letra  do alfabeto. São, no geral, simples canções, outras, cartas a amigos. Cezimbra Jacques em seu “Assuntos do Rio Grande do Sul”, transcreve o “Abecedário da moçada da coxilha”, mas incompleto, somente até a letra O.  Simões Lopes Neto  também transcreve esse tipo de poesia popular em seu “Cancioneiro Guasca.”  São, no geral, poesias mal feitas, como a poesia do povo.   Raul Sotero, poeta popular de São Gabriel, escreveu o seguinte ABC, precedido de uma explicação em verso, para o Sr. Alfredo Faria:
“Senhor Alfredo Faria,
para seu lado vou eu
em busca de um cavalinho
que o senhor me prometeu,
e pelo tempo que faz
decerto já se esqueceu.

E como promessa é dívida
o senhor tenha paciência;
mas peço me desculpar
eu estar com exigência,
pois dizem que Deus ajuda
a quem faz a diligência.

Assim lhe mando estes versos
para não mais esquecer,
que neles também lhe peço
pensar o que vai fazer.
Em prova de gratidão
vou mandar-lhe um ABC.

No ABC que lhe mando,
nas mesmas letras declaro,
em qualquer qüera não ando:
o meu gosto é muito raro.
Mas dos pelos que eu explico,
Aceito, creia, meu caro.

Alazão é pelo lindo !
si eu pudesse merecer
por ser a primeira letra
deste mimoso ABC.

Baio também me agradava,
si vós quizesseis me dar.
Si não tiver por quem mande,
eu mesmo vou lá buscar.

Colorado, gosto muito
por ser um pelo decente;
mesmo rosilho prateado
me deixaria contente.

Doradilho também serve;
é pelo que já gostei.
também num zaino bragado
muita carreira ganhei.

Entrepelado, que lindo
por ser um pelo exquisito;
eu aceitava me rindo
porque sempre achei bonito.

Fazendo os versos que mando,
talvez tenha algum engano:
estava agora pensando
que pode ser um tubiano.

Gateado é pelo bem maula,
mas  não quero pra carreira;
dá pra defender a pátria,
pra salvação da bandeira.

Há ! que saudades que tenho
do meu rosilho tostado !
De rédea, era uma balança !
Cortava por qualquer lado.

Iscuro, me dá saudades
do tempo de minha infância:
era o que mais eu zelava,
era o melhor lá da estância.

Já que trato deste assunto,
desejo sair servido:
mesmo azulejo ou bragado,
não tenho o tempo perdido.

Cavalo branco é azar,
para os dias de trovoada:
como sou muito devoto,
não tenho má fé de nada.

Lubuno na cancha é maula,
mas no rodeio já presta.
Si assim ganhar, me contento:
sete consolo me resta.

Mouro é sempre garantido
num pelado de rodeio.
Também ovêro rosado
é pelo que não odeio.

No que receba estes versos
feitos de tão boa fé,
deveis lembrar que um gaúcho
é triste viver a pé.

Oh ! que saudades que tenho
de um malacara que eu tinha,
das quatro patinhas brancas,
presente de uma madrinha.

Picaço é pelo macaco
de cavalo caborteiro;
mas se ganhar, me contento,
por não me custar dinheiro.

Que estes versos vão cair
nas mãos de muito boa gente,
que um pingo dado de gosto
quem ganha fica contente.

Ruano é pelo de gosto
por ele tenho paixão;
para apartar um rodeio
num dia de marcação.

Salino é pelo mui raro
que só por sorte da gente;
ovêro-chita e bragado
si ganho fico contente.

Tordilho no rio é peixe;
tostado é bom mas não tanto;
pampa de todos os pelos
também me serve, garanto.

Uma história bem escrita
a um homem de educação,
dá pra avaliar os poderes
da força da inclinação.

Vermelho de campo é um raio;
melado é fraco e traiçoeiro;
mas este mesmo eu aceito
por não me custar dinheiro.

Xará, só mesmo um acaso,
ou por ventura no mundo,
somente o pelo é remisso
que não alisa um segundo.

Zaino, vai por despedida,
com ele termino os versos;
que não se esqueça de mim
mais uma vez eu lhe peço.



Há referências ao poeta no livro “Gildo de Freitas” de Juarez Fonseca, Tchê, Comunicações Ltda., 1985, p. 47, o qual veio a cidade de Canoas trazer informações à dona Carminha, esposa de Gildo, que há muito não vinha em casa e nem mandava  notícias. “... eu vim aqui te dizer que era eu que te mandava dinheiro. Fazia os shows do Gildo e sempre tirava um pouco e mandava para ti. Então eu quero te avisar que o Gildo foi embora para outro lugar, e não sei notícias dele. Porisso tu não deves mais contar comigo.”
Raul Sotero participou, como trovador repentista, no “Grande Rodeio Coringa”, famoso programa da Rádio Farroupilha de Porto Alegre, apresentado por Darcy Fagundes e Luiz Menezes, que ia ao ar todos os domingos a noite.  No programa desfilavam outros grandes repentistas – Inácio Cardoso, Teréco Oliveira, Genésio Barreto, Luiz Müller, Portela Delavi, Garoto de Ouro, Preto Limão e Gildo de Freitas.

No festival de música nativista “1º Flete da Canção Gaúcha”, do município de Santa Margarida do Sul, RS, foi criado, em homenagem ao poeta e trovador, o troféu Raul Sotero para a modalidade  melhor intérprete de música do festival.



Décima escrita por Raul Sotero (?)

Segundo Jorge Telles de Oliveira, em seu blog, diz: “Sobre o finado Talco (Tarquino Cardoso), fui vizinho em Rosário do Sul de uma  irmã dele, que também já faleceu, a amiga Geni, que foi quem me deu a décima em que não aparece o autor mas, segundo o estilo da lavra ela é imputada, isto sem confirmação oficial, ao famoso versejador e poeta Raul Sotero de Sousa, natural do município de Lavras do Sul.”

O maior vate campeiro do Rio Grande do Sul
Eu tinha um livro de poesias do Raul Sotero de Souza intitulado “Desperta Rio Grande”,
prosa e verso, que foi publicado em 1962 pela Editora Pallotti, de Santa Maria. Quando
de uma exposição de livros de autores de São Gabriel, eu o emprestei ao saudoso
amigo Nolan Scipioni, na época secretário municipal de Turismo.
E deve ter ficado lá na Biblioteca Municipal até hoje. E pelo tempo que faz, não vou
mais busca-lo, fica como doação ao nosso estabelecimento cultural.
Na verdade eu tinha dúvidas se Raul Sotero de Souza era mesmo filho de São Gabriel.
Segundo o pesquisador e historiador rosariense, Jorge Telles de Oliveira, hoje radicado
em Santa Maria, ele teria nascido em Lavras do Sul.
Mas como sempre fazia, recorri ao “amigo-amigo” o saudoso historiador Osório Santana
Figueiredo, em quem confiava integralmente. E a dúvida foi dissipada. Ele nasceu na
Palma, município de São Gabriel, em 4 de março de 1895 e faleceu em Santa Maria, no
dia 21 de novembro de 1972, aos 77 anos.
Seu Osório me contou que conheceu pessoalmente o tradicionalista, tendo inclusive
revisado um de seus livros. Raul era muito amigo do pai do historiador, o que propiciou
uma convivência mais próxima entre eles.
Na ótica de seu Osório, Raul Sotero de Souza foi o maior vate campeiro que conheceu.
Era um gaúdério. Não tinha paradeiro. Falavam que ele tinha um filho que, no entanto,
o historiador não pode descobrir.
Nem tem certeza se ele foi casado, mas que teve várias mulheres é fato indiscutível.
Sabe-se que um advogado de São Borja, de nome Israel está escrevendo a biografia de
Raul. Tentei contato com ele mas não consegui.
NÃO TINHA PARADEIRO
Na verdade Raul não costumava parar em um lugar só. Além de poeta era também
trovador repentista e gaiteiro, sendo comum vê-lo pelas emissoras de rádio de Santa
Maria e cidades vizinhas, como Jaguari, São Vicente, Mata, São Pedro do Sul e outras.
Sei também que Raul escreveu mais um livro, “Inspiração de um gaúcho”, com versos
regionalistas e o “ABC sobre pelos de cavalos”, precedido de uma explicação em verso,
para o senhor Alfredo Faria:
Senhor Alfredo Faria,/para seu lado vou eu/em busca de um cavalinho/que o senhor me
prometeu,/ e pelo tempo que faz/decerto já se esqueceu.
E como promessa é dívida/o senhor tenha paciência;/mas peço me desculpar/eu estar
com exigência,/pois dizem que Deus ajuda/a quem faz a diligência.
Assim lhe mando estes versos/para não mais esquecer,/que neles também lhe
peço/pensar o que vai fazer./Em prova de gratidão/vou mandar-lhe um ABC.
No ABC que lhe mando,/nas mesmas letras declaro,/em qualquer qüera não ando:/o
meu gosto é muito raro./Mas dos pelos que eu explico,/Aceito, creia, meu caro.
Alazão é pelo lindo!/se eu pudesse merecer/por ser a primeira letra/deste mimoso
ABC./Baio também me agrada,/se vós quiser me dar./Se não tiver por quem
mandar,/eu mesmo vou lá buscar.
Colorado, gosto muito/por ser um pelo decente;/mesmo rosilho prateado/me deixaria
contente./Doradilho também serve;/é pelo que já gostei./também num zaino
bragado/muita carreira ganhei.
Entrepelado, que lindo/por ser um pelo esquisito;/eu aceitava me rindo/porque sempre
achei bonito./Fazendo os versos que mando,/talvez tenha algum engano:/estava agora
pensando/que pode ser um tubiano.
Gateado é pelo bem maula,/mas não quero pra carreira;/dá pra defender a pátria,/pra
salvação da bandeira.
Há! Que saudade que tenho/do meu rosilho tostado!/De rédea, era uma
balança!/Cortava por qualquer lado./Escuro, me dá saudades/do tempo de minha
infância:/era o que mais eu zelava,/era o melhor lá da estância.
Já que trato deste assunto,/desejo sair servido:/mesmo azulejo ou bragado,/não tenho
o tempo perdido./Cavalo branco é azar,/para os dias de trovoada:/como sou muito
devoto,/não tenho má fé de nada.
Lobuno na cancha é maula,/mas no rodeio já presta./Se assim ganhar, me
contento:/este consolo me resta./Mouro é sempre garantido/num pelado de
rodeio./Também overo rosado/é pelo que não odeio.
No que receba estes versos/feitos de tão boa fé,/deveis lembrar que um gaúcho/é triste
viver a pé./Oh! Que saudades que tenho/de um malacara que eu tinha,/das quatro
patinhas brancas,/presente de uma madrinha.
Picaço é pelo macaco/de cavalo caborteiro;/mas se ganhar, me contento,/por não me
custar dinheiro./Que estes versos vão cair/nas mãos de muito boa gente,/que um pingo
dado de gosto/quem ganha fica contente.
Ruano é pelo de gosto/por ele tenho paixão;/para apartar um rodeio/num dia de
marcação./Salino é pelo mui raro/que só por sorte da gente;/overo-chita e bragado/se
ganho fico contente.
Tordilho no rio é peixe;/tostado é bom mas não tanto;/pampa de todos os
pelos/também me serve, garanto.
Uma história bem escrita/a um homem de educação,/dá pra avaliar os poderes/da força
da inclinação./Vermelho de campo é um raio;/melado é fraco e traiçoeiro;/mas este
mesmo eu aceito/por não me custar dinheiro.
Xará, só mesmo um acaso,/ou por ventura no mundo,/somente o pelo é remisso/que
não alisa um segundo./Zaino, vai por despedida,/com ele termino os versos;/que não
se esqueça de mim/mais uma vez eu lhe peço.
QUEM ERA ALFREDO FARIA
Pedi socorro ao historiador Osório Santana Figueiredo, sobre quem era o senhor Alfredo
Faria. E como sempre, solicito, me informou o seguinte:
Caro Nilo. Conheci. Era um dos mais ricos estancieiros de São Gabriel. Proprietário da
“Estância do Céu”, “Estância do Batovi” e “Estancia Santa Delaide”. Foi prefeito
nomeado de São Gabriel, em 1936/1937.
Os seus vencimentos de prefeito mandava que depositassem na conta da Santa Casa
de Caridade. Tinha dinheiro demais. Era conhecido como o homem que não gostava
que cobrassem as dívidas.
Por essa razão o ferreiro Edmundo Vasconcelos, que recebia muito serviço do
estancieiro e conhecedor de suas manias, sempre ao ser perguntado quanto lhe era
devido, respondia que não era nada.
Depois, mandava-lhe um bilhete pedindo certa importância em dinheiro, quase sempre
além dos valores do serviço realizado. O seu Alfredo, sem reclamar, mandava o
dinheiro. Era assim que ele gostava.
Certa ocasião o ferreiro Edmundo recebeu de presente do estancieiro uma potranca,
mas nunca foi buscá-la. O seu Alfredo cuidou do animal que deu várias crias e formou
uma manada, que segundo ele era de propriedade do ferreiro.
Se achando doente, o seu Alfredo viajou para Porto Alegre, mas antes entregou-lhe o
seu Jeep, dizendo: “É um presente para ti Edmundo. Vou para Porto Alegre e não volto,
meu caso é muito sério”. Era um homem de bom coração, prova disso que os seus
capatazes e posteiros das estâncias eram donos de grandes pontas de gado.
Alfredo Faria era sogro de Raul Southall, a quem deixou as estâncias “Do Céu” e “Santa
Delaide”, mais a casa na cidade. A do “Batovi”, a maior ficou com a outra filha casada
com o coronel Saldanha, do Exército.
Mal o sogro morreu, Raul foi à casa do seu Edmundo e requisitou o Jeep e negou-lhe os
cavalos que ele tinha na “Estância do Batovi”, dizendo: “Lá hoste non tiene nadia”.
Seu Edmundo nada reclamou. E a gente que trabalhava para o Alfredo Farias, foi toda
posta para a rua. Mas o destino muitas vezes dá o troco: Raul Southal, antes de morrer
ficou 10 anos paralítico, sentado numa cadeira de rodas, apenas olhando para a rua.
EM MEMÓRIA DE TALCO CARDOSO
Outros versos de Raul Sotero de Souza que ficaram bastante conhecidos foram feitos
em memória de “Talco Cardoso”, famoso bandoleiro de São Gabriel.
Na época em que apareceu essa décima (literatura de cordel), era muito usada no
Nordeste. Aqui no Sul era bastante disputada e vendida nos trens de passageiros. A
coisa ainda estava meio complicada, estavam muito verdes e marcadas as estrepolias
de “Talco” e de seus matreiros.
Raul Sotero também era compositor musical. Teve vários parceiros, entre eles
“Cerejinha”, com quem compôs as músicas “Saudade da minha terra” e “Adeus
Alegrete”.
Ivory Gomes de Mello, o “Cerejinha” foi músico e radialista gaúcho, chamado de
“Cardeal de Ouro”. Além da parceria com Raul Sotero de Souza, foi autor de outras
músicas de sucesso como “Briga de Casal” e “Como é Lindo o Meu Rio Grande”, entre
outras.
Foi autor de expressões muito usadas, como "Tá na hora do traçudo véio!", sempre que
ia comunicar o primeiro prêmio da loteria; "Minha cumadre véia, tchau! Meu cumpadre
véio, tchau! Vamo tramelá as porta do ranchinho", cada vez que se despedia no seu
programa diário. Sem dúvida foi um verdadeiro ícone da cultura santamariense.
Raul Sotero participou, como trovador repentista, no programa “Grande Rodeio
Coringa”, que era levado ao ar nos domingos a noite pela Rádio Farroupilha, de Porto
Alegre, apresentado pelos tradicionalistas Darcy Fagundes e Luiz Menezes.
Era o tempo áureo do rádio. Não havia televisão. Acho até que era bem melhor, pois
não convivíamos com trastes do tipo “Gugu”, “Ratinho” e “Faustão”, entre outros.
No programa desfilavam muitos excelentes repentistas como Inácio Cardoso, Teréco
Oliveira, Genésio Barreto, Luiz Müller, Portela Delavi, Garoto de Ouro, Preto Limão,
Teixeirinha e Gildo de Freitas.
Eu lembro que lá em casa, na cidade de Dom Pedrito, onde nasci, meus saudosos pais
não deixavam de ouvir o programa. Sentados na sala, ao lado do velho rádio de
válvulas, acompanhavam atentamente o desfilar de atrações do tradicionalismo gaúcho.
Darcy Fagundes nasceu em 1925, em Uruguaiana, e era o primogênito de uma família
de 11 irmãos, entre eles, o saudoso apresentador Antônio Augusto Fagundes, o “Nico”.
A partir do programa, Darcy ficou conhecido pela alcunha de "o gaúcho vaqueano do
rádio", slogan criado por ele mesmo. Apresentou também o programa dominical
“Invernada Gaúcha”, na TVE/RS, e “Madrugada Gaúcha”, na Rádio Gaúcha.
Faleceu em 22 de junho de 1984, vitimado pelo câncer, sendo até hoje lembrado como
um grande incentivador e cultivador da música e da cultura rio-grandense.
Já Luís Menezes, o parceiro de Darci Fagundes, era filho de Quaraí, onde nasceu em 20
de maio de 1922. Era folclorista, compositor, radialista e cantor e autor de vários
clássicos regionalistas gaúchos.
Exerceu suas atividades na Rádio Gaúcha, Rádio Farroupilha e Rádio Difusora. Também
apresentou programas de televisão na TV Piratini e TV Bandeirantes.
Em 1954 fez sua festejada canção “Piazito Carreteiro”, que trazia uma nova maneira
para interpretar a música regional gauchesca.
TRIO GAÚCHO
Raul Sotero de Souza também fez parte do “Trio Gaúcho”, ao lado de Chiquinho da Vila
e Gildo de Freitas. Existem referências a Raul, no livro “Gildo de Freitas” de Juarez
Fonseca.
Raul teria ido ao Bairro Niterói, em Canoas, falar com dona Carminha, esposa de Gildo,
que há muito não vinha em casa e nem mandava notícias.
E Raul disse a ela que era ele quem mandava dinheiro para o sustento da casa. Quando
dos shows do Gildo, ele sempre tirava um pouco e mandava para ela. E ao mesmo
tempo avisou que o Gildo fora embora para outro lugar, e não sabia mais notícias dele,
e por isso teria de parar com a ajuda.
Leovegildo José de Freitas, ou simplesmente Gildo de Freitas era natural de Porto
Alegre, onde nasceu no Bairro Passo da Areia, no dia 19 de junho de 1919. Faleceu
também em Porto Alegre, no dia 4 de dezembro de 1982.
Possuía um estilo muito próximo ao do também tradicionalista “Teixeirinha”, com quem,
apesar de algumas divergências, por várias vezes fez parcerias e rivalizava em
popularidade.
Dia 4 de dezembro que também foi a data da morte de “Teixeirinha” em 1985, foi
declarado pela Assembléia legislativa do Rio Grande do Sul, através de projeto
aprovado em 1989 de autoria do deputado Joaquim Moncks, como o “Dia do Poeta
repentista Gaúcho” e do Artista Regional Gaúcho”.
TROFÉU RAUL SOTERO
No festival de música nativista “1º Flete da Canção Gaúcha”, que é realizado no vizinho
município de Santa Margarida do Sul, foi criado, em homenagem ao poeta e trovador, o
“Troféu Raul Sotero”, para a modalidade de melhor intérprete de música do festival.
São Gabriel sempre teve grandes trovadores, como o saudoso Adão Brasil dos Santos, o
“Canário Alegre”, que era conhecido em todo o Estado.
Também, Marcelino Medeiros Rios, popularmente conhecido como “Lenço Azul”, falecido
em julho de 2015. Era policial militar aposentado e funcionário do Forum e conhecido
na arte da trova, através do auge dos programas de auditório, com destaques para o
“Rodeio Coringa”, na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre e “Inverno no Galpão”, na
Rádio São Gabriel.
Lembro que ele morava na Vila Maria e sua casa era um verdadeiro “Museu da
Tradição”, tantos os objetos gauchescos que colecionava.
E mais recentemente José Macedo, o “Macedinho”, cantor, trovador, gaiteiro e
compositor. Sei que tivemos e ainda temos trovadores da melhor estirpe, que não os
cito por lapsos de memória ou por não conhecê-los, pois já faz muito tempo que sai de
São Gabriel. Mas homenageio a todos. (Pesquisa: Nilo Dias - Matéria publicada no
jornal "O Fato", de São Gabriel, edição de 11 de julho de 2018))”
Nilo Dias é proprietário do blog Viva São Gabriel, de onde retirei o presente texto e uma fotografia do Raul Sotero de Souza.




2 comentários:

  1. Meu pai tinha um livro de historia e musicas de Raul Sotero; pena que foi perdido gostaria de saber se tem como adequerir este livro talves da era 11920

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  2. Mas que coisa linda tchê. Meu finado avô cantava essa décima entre outras coisas raras. Fico grato pela postagem.

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